Sócio de Escobar brasileiro preso na Espanha será extraditado para o Brasil

A Justiça da Espanha determinou a extradição para o Brasil do colombiano Juan Sebastian Garcia Rodriguez, um dos sócios do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho, 63, o Major Carvalho, um dos maiores narcotraficantes do mundo.

Rodriguez foi preso em novembro de 2020 em Motril, na região de Granada. Segundo as autoridades espanholas, Rodriguez está envolvido com a remessa de 776 kg de cocaína escondidos em um contêiner no porto de Paranaguá, no Paraná, com destino ao porto de Antuérpia, na Bélgica.

O colombiano havia sido capturado por agentes da Polícia Nacional de Motril e da Unidade Central de Fugitivos. Os agentes se deslocaram de Madri, capital espanhola, em busca do narcotraficante. Ele foi localizado na rua Santa Lúcia de Motril, bairro Angustias.

A polícia espanhola informou que o colombiano vivia em uma casa geminada, de dois andares, com a família. O acusado foi transferido para Madri. Rodriguez se opôs à extradição, mas o Tribunal Nacional não atendeu os pedidos dele. O criminoso deve chegar ao Brasil nas próximas horas.

Rodriguez é um dos 65 réus que foram investigados pela Polícia Federal por tráfico internacional de drogas. Os trabalhos foram conduzidos pelo delegado federal Sérgio Luís Stinglin de Oliveira. Os acusados respondem a processo na 14ª Vara Federal de Curitiba.

Em novembro de 2020, o delegado Stinglin deflagrou a Operação Enterprise. Foram cumpridos os 65 mandados de prisão contra os acusados, além de outros 151 mandados de busca e apreendidos ao menos R$ 400 milhões em bens.

O Major Carvalho, conhecido na Europa por “Escobar brasileiro”, em alusão ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar, é acusado de ter tentado exportar para a Europa quase 50 toneladas de cocaína avaliadas em R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020.

Os portos preferidos pelo Major Carvalho, considerado o chefe da quadrilha, eram o de Paranaguá, no Brasil, e de Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda. O bando, no entanto, também enviava drogas pelos portos de Santos (SP) e Natal (RN).

Fugiu de jato

Dias antes da deflagração da Operação Enterprise, um delegado e um agente da Polícia Federal do Brasil viajaram para Lisboa, em Portugal, para tentar prender o “Escobar brasileiro”. Mas ele não foi localizado porque tinha ido com jato próprio para a Espanha e depois para a Itália.

As autoridades portuguesas e brasileiras acreditam que a viagem do major foi para cuidar de assuntos relacionados ao tráfico internacional de cocaína. Agentes federais do Brasil suspeitam que o “Escobar brasileiro” soube que a polícia estava na caça dele e que ele então fugiu para o Leste europeu.

Na Europa há um pedido de prisão internacional contra o Major Carvalho. Ele chegou a ser preso com o nome falso de Paul Wouter em agosto de 2018, acusado de ser o dono de 1,7 tonelada de cocaína apreendida em uma embarcação na Galícia. Mas pagou fiança de 200 mil euros e foi solto.

Quando soube que o Ministério Público da Espanha iria pedir a condenação dele por 13 anos e seis meses por tráfico de drogas, o Major Carvalho forjou a própria morte. O médico Pedro Martin Martos, de uma clínica esteticista de Málaga, assinou o atestado de óbito do falsário Paul Wouter.

À época, a Justiça da Espanha considerou o atestado de óbito e o processo movido contra o major foi extinto. A Polícia Federal do Brasil descobriu a farsa e avisou as autoridades espanholas. Um tribunal da Espanha decidiu reabrir o caso.

Com a extradição do colombiano Rodriguez, o cerco ao Major Carvalho vai se fechando cada vez mais. Caso o “Escobar brasileiro” seja capturado, também deverá ser extraditado para o Brasil, onde ficará em presídio federal até ser julgado. VOL.