PF apura origem de ouro; mandados foram cumpridos em MT

Na quarta-feira agentes interceptaram veículos que carregavam mais de 80 quilos do metal

DO JORNAL NACIONAL

A Polícia Federal está investigando a origem de quase 80 quilos de ouro apreendidos com policiais militares de São Paulo.

O avião pousou no aeroporto de Sorocaba, no interior de São Paulo. Imagens feitas pelas câmeras do local mostram quatro homens com malas. Dentro delas, segundo a Polícia Federal, estavam 77 quilos de ouro.

A carga avaliada em R$ 23 milhões foi colocada no porta-malas de dois carros, que seguiram viagem pela Rodovia Castello Branco, em direção à capital paulista, até serem parados por policiais rodoviários estaduais na altura da cidade de Itu.

Seis pessoas foram levadas para a delegacia; quatro são policiais militares de São Paulo. Entre eles, o tenente-coronel Marcelo Tasso e o sargento Gildsmar Canuto. Os dois estão vinculados à Casa Militar do governo paulista, um órgão com status de Secretaria de Estado, responsável pela Defesa Civil e pela segurança pessoal do governador.

A operação é desdobramento de um inquérito que apura um esquema de sonegação fiscal e receptação de ouro extraído ilegalmente de garimpos clandestinos nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.

No mês passado, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Pará e no Mato Grosso, e conseguiu o sequestro judicial de um avião usado pelos suspeitos, o mesmo apreendido nesta quarta em Sorocaba.

O registro na Agência Nacional de Aviação Civil mostra que a aeronave pertence à empresa Embravision Trading e é operado pela agropecuária Ouro Verde. O avião está proibido de fazer táxi aéreo. A confirmação do sequestro judicial aparece neste item.

Em nota, a Casa Militar disse que afastou o sargento Gildsmar Canuto e que o tenente-coronel Marcelo Tasso já estava afastado de suas funções desde outubro do ano passado para cumprir licenças pendentes antes de sua aposentadoria.

Nesta quinta-feira (5), o governador Rodrigo Garcia, do PSDB, determinou a apuração do caso.

“Desde ontem, quando nós soubemos da ocorrência, a Corregedoria já instaurou um inquérito para fazer essa averiguação, se ele estava dentro do seu horário de folga, fazendo um trabalho lícito. E eu vou aguardar o fechamento dessa análise da Corregedoria para me pronunciar”, afirmou.

Os envolvidos no transporte e na escolta do ouro prestaram depoimento e foram liberados. A carga e o avião ficaram apreendidos.

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar os crimes de receptação e usurpação de bens da União, que é quando alguma matéria-prima do país é explorada sem autorização legal. Os agentes agora vão investigar quem é o dono da carga e qual era o destino dela. Também vão analisar a documentação apresentada e periciar o ouro.

A empresa Embravision Trading disse que vendeu o avião para a agropecuária Ouro Verde em fevereiro do ano passado. O Jornal Nacional procurou a agropecuária, mas não teve resposta.

O tenente-coronel Marcelo Tasso afirmou que foi comprovado na delegacia que tudo estava documentado, que é de praxe encaminhar o material para perícia, e que está certo de que tudo será esclarecido.

O JN não conseguiu contato com o sargento Gildsmar Canuto.