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Vídeos gravados pela PF mostram suspeitos de tráfico internacional fazendo testes em aviões

Os vídeos foram feitos em 2017 no aeródromo Dona Iracema, em Porto Nacional. Pilotos tiveram que diminuir a quantidade de drogas levada em cada voo após terem problemas com o excesso de peso.

Por TV Anhanguera

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Vídeos mostram suspeitos de tráfico testando aviões em Porto NacionalJA 2ª Edição – TO01:19/04:01

Vídeos mostram suspeitos de tráfico testando aviões em Porto Nacional

Vídeos mostram suspeitos de tráfico testando aviões em Porto Nacional

A Polícia Federal gravou o momento em que suspeitos de pertencer a uma quadrilha de tráfico internacional de drogas fizeram testes em aviões no Tocantins. Os vídeos foram feitos em 2017 no aeródromo Dona Iracema, em Porto Nacional. O local é chamado de ‘Pista do Wisley’ pelos suspeitos em conversas telefônicas que foram gravadas com autorização da Justiça.

Os investigadores ficaram escondidos na mata enquanto os supostos integrantes do grupo descarregavam galões de combustível. A suspeita é de que as aeronaves foram adulteradas para ter um sistema improvisado de reabastecimento durante o voo, para aumentar a autonomia. Os galões seriam usados para transportar o combustível junto com as drogas.

Supostos integrantes da quadrilha foram filmados descarregando combustível no local — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Supostos integrantes da quadrilha foram filmados descarregando combustível no local — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Na mesma pista foram feitos testes de decolagem com o avião prefixo PT-IDQ. A PF afirma que esta aeronave foi usada posteriormente em rotas internacionais de tráfico de cocaína. Mais de 20 voos que carregavam cerca de 400 quilos de drogas cada um foram monitorados ao longo da operação.

Em grampos telefônicos, os pilotos Aroldo Medeiros e Fábio Coronha discutiram a quantidade de cocaína que poderia ser transportada em cada viagem, já que algumas aeronaves apresentaram problemas em função do excesso de peso.

  • FÁBIO C. DA SILVA: Beleza. E aí? Oi.
  • AROLDO M. DA CRUZ: Cê tá sabendo que o rapaz que vem na retro que…
  • FÁBIO C. DA SILVA: Quebrou. Tô sabendo.
  • AROLDO M. DA CRUZ: Oi.
  • FÁBIO C. DA SILVA: Oi. Tô sabendo.
  • AROLDO M. DA CRUZ: Pois é. Aí é o seguinte, vê com, com o doido aí pra vê se baixa esse trem aqui pra nós levar só Quatro. Quatro zero zero. Porque o trem aqui é feio, hein?
  • FÁBIO C. DA SILVA: É né? Vou falar com ele agora.
  • AROLDO M. DA CRUZ: Cê copiou?
  • FÁBIO C. DA SILVA: Copiei. Quatro zero zero.
  • AROLDO M. DA CRUZ: Pois é, vê com ele aí porque o trem aqui é feio.
  • FÁBIO C. DA SILVA: Tá. Eu vou falar pra ele que vai levar só esse aí.

Segundo a PF, o termo ‘retro’ era de ‘retroescavadeira’, como o grupo se referia aos aviões para evitar levantar suspeitas. Após esta conversa, os dois teriam pedido autorização a João Soares Rocha, apontado como chefe da quadrilha, para diminuir a quantidade de drogas transportada. Ele teria autorizado o transporte de 360 kg em cada voo.

Suspeitos fizeram testes nos aviões em aeródromo no Tocantins — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Suspeitos fizeram testes nos aviões em aeródromo no Tocantins — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Ao todo, a PF mapeou 11 pistas clandestinas ao longo de dois anos de investigação. Uma delas ficava na Venezuela e o grupo se referia a ela como ‘Hermana’.

Foragido

Um dos principais alvos da operação segue foragido. Alencar Dias é apontado pela Polícia Federal como o responsável pela movimentação financeira da quadrilha. Ele é irmão de Leonardo Dias Mendonça, conhecido como Barão do Tráfico. Ele foi preso em 2002 e acusado de ser aliado de Fernandinho Beira-Mar.

Em uma das escutas, Alencar afirma que é o ‘homem do dinheiro’.

  • RAIMUNDO: Quem?
  • ALENCAR: É o vizinho teu.
  • RAIMUNDO: Pois é.
  • ALENCAR: O rapaz do dinheiro.
  • RAIMUNDO: Eu tô ligando pra ti.
  • ALENCAR: Ah não eu…
  • RAIMUNDO: Tu queria a confirmação.
  • ALENCAR: Eu, eu confirmei já, aquele depósito. Dos duzentos reais eu já confirmei.
  • RAIMUNDO: É. Já tem a confirmação aqui. É porque eu falei com o Marcone, com o rapaz que tava com dinheiro pra mim.
  • ALENCAR: Tá beleza. Certo.
  • RAIMUNDO: E eu mandei ele depositar o dinheiro lá, é, o quinhetos reais é pra despositar na conta dos quinhetos mil. Não é isso?
  • ALENCAR: É, é. (ininteligível) Na dos quinhentos.

A operação

O grupo foi desarticulado na última quinta-feira (21). Segundo a investigação, a quadrilha transportou pelo menos 9 toneladas de cocaína entre 2017 e 2018, em 23 voos que carregavam 400 kg da droga, em média, cada um. A PF informou que o grupo tinha ligação com facções criminosas do Brasil e prestava serviços para traficantes daqui e do exterior.

Os agentes da Polícia Federal receberam as primeiras denúncias sobre o narcotráfico, com atuação no Tocantins, em junho de 2016. A polícia acredita que a quadrilha atua há pelo menos 20 anos.

Até um submarino foi utilizado nas atividades do grupo. Ele foi apreendido em fevereiro de 2018 no Suriname.

As investigações indicam que a rota do transporte de drogas passava pelos países produtores (Colômbia, Bolívia), países intermediários (Venezuela, Honduras, Suriname e Guatemala) e países destinatários (Brasil, Estados Unidos e União Europeia).

Outro lado

A defesa de João Soares Rocha informou que só teve acesso ao inquérito na ultima sexta-feira e que está analisando a melhor estratégia para pedir a revogação da prisão dele. Ainda segundo o advogado, Rocha continua na Casa de Prisão Provisória de Palmas em uma cela comum.

G1 não conseguiu identificar as defesas dos demais citados. G1

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