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Navio misterioso que ‘surgiu’ em praia de SP vira alvo de pesquisadores estrangeiros

Veleiro inglês Kestrel, que encalhou em Santos, no litoral paulista, em 1895, é a ‘hipótese mais provável’. Vapor Glória já foi descartado.
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Por José Claudio Pimentel, G1 Santos
Destroços estão localizados nas proximidades do Canal 5, em Santos, SP (Foto: José Claudio Pimentel/G1)


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Arqueólogos e historiadores de Portugal foram acionados para auxiliarem nas investigações que tentam descobrir a qual embarcação pertencem os destroços localizados em Santos, no litoral de São Paulo. Um veleiro com três mastros, encalhado em 1895, foi apontado nesta terça-feira (29) como a «hipótese mais provável».
Há uma semana, a maré baixa e a erosão da Praia do Embaré provocaram o aparecimento de pedaços de madeira e metal que se assemelham a um casco de navio, próximo à mureta do Canal 5. Segundo a prefeitura, os destroços têm pouco mais de 50 metros de comprimento e 12 metros de largura, aproximadamente.
«Desde a localização, estamos monitorando toda a estrutura e realizando medições. Fizemos imagens e enviamos a especialistas em embarcações de madeira, em Portugal. Eles estão analisando tudo e colaborando com a nossa investigação», explica o arquerólogo Manoel Gonzalez, que lidera uma equipe de seis profissionais em Santos.

Segundo ele, o trabalho do grupo, composto também por historiadores e arquitetos, é tentar fazer um «recorte histórico». Isto é, determinar, a partir do material encontrado, quando a embarcação foi fabricada e por quanto tempo esse modelo de barco foi utilizado. «O que afirmamos, hoje, é que tem mais de 100 anos», garante.

A estrutura parcialmente revelada na areia é praticamente toda composta de madeira. «Vemos ali o fundo da embarcação, que ficou aterrado com o tempo e nunca foi retirado dali. As peças são unidas por longas estacas de metal, que funcionam como juntas. Isso já nos oferece uma pista», explicou o arqueólogo.
Uma análise mais profunda do material depende de uma autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para a retirada de amostras. O órgão informou ao G1 que aguarda da Marinha do Brasil uma notificação que ateste que os destroços encontrados apresentam um «valor cultural».

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A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) informou que não está sob a jurisdição do órgão qualquer avaliação da estrutura encontrada, justamente por não ser atual. Segundo a Marinha, a responsabilidade é da Prefeitura de Santos que, por sua vez, afirmou também aguardar parecer oficial da autoridade marítima.
Hipóteses
Enquanto as autoridades decidem a responsabilidade sobre a descoberta, nesta terça-feira, Gonzalez afirmou que o grupo encontrou informações do encalhe do veleiro Kestrel, ocorrido em 11 de fevereiro de 1895 na mesma região onde o barco foi encontrado. «É a hipótese mais provável, mas não por isso deixamos de apurar e investigar. O trabalho continua até termos certeza».

De acordo com uma publicação da época, o encalhe do Krestel ocorreu pela ausência de um capitão a bordo. Uma ventania levou a embarcação à praia e um rebocador que navegava pela barra da cidade ainda tentou fazer o resgate, sem sucesso. «Era um veleiro de três mastros, que se assemelha aos destroços localizados».

Apesar da suspeita, entre as possibilidades permanecem as embarcações Elitel Fritz e Madonna Della Costa, ambas encalhadas ou naufragadas em 1894, e o vapor Nanny, que sinistrou em 1890. O vapor Gloria, que se acidentou em 1909, antes apontado como uma possibilidade, já foi descartado pelos profissionais.
«O Gloria encalhou mais à frente, mais na região da Ponta da Praia, mas logo foi desencalhado com o auxílio de um rebocador. A embarcação voltou a navegar», afirma Gonzalez, que também encontrou publicações de jornais da época. O acidente do navio a vapor ocorreu durante um intenso nevoeiro no Estuário santista.

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