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A lenda de Nhá Kanuta e a maldição do buracão da fronteira de MS e Paraguai

Um os mitos mais antigos da região fronteiriça de Ponta Porã conta a maldição de uma mãe à uma feiticeira indígena que deixou seu filho morrer

(Arquivo pessoal, Robson Martins, concedido por Yhulds Bueno. Vista aérea da Laguna Porã, década de 50)

Muitas lendas permeiam o imaginário mítico dos povos que fazem parte das raízes de Mato Grosso do Sul. Pouco se sabe sobre histórias de lugares conhecidos e que por gerações vivem sob uma maldição consequente da avareza. É o caso da lenda de Nhá Kanuta que paira na região fronteiriça onde se encontram as cidades de Ponta Porã (BR) e Pedro Juan Caballero (PY).

A fonte de Nhá Kanuta, segundo o pesquisador e historiador Yhulds Bueno, se localizava na região da Avenida
Brasil, que se estendia até os limites do quartel do 11º Regimento de Cavalaria Mecanizado. Era uma linda fonte de águas puras e cristalinas com efeito medicinais milagrosos. Diz a lenda que quem bebesse da água da fonte de Nhá Kanuta adquiria a longevidade por anos e cura de seus males.

Com a popularização da lenda muitos se aventuraram para tentar conseguir encontrar esta fonte enigmática. Entretanto, os caçadores da vida eterna desconheciam a história completa e Nhá Kanuta, cuidava das matas e não permitia que os intrusos bebessem de suas águas. Ciumenta, a feiticeira conferia somente à ela mesma o poder de usufruir da fonte da cura e das riquezas da região.

Certa vez, uma mãe em desespero e ciente da lenda foi em busca das águas da fonte para curar seu filho único que estava muito doente e à beira da morte. Encontrando tal fonte, avistou Nhá Kanuta e suplicou por um pouco de água fresca para levar para seu filho enfermo. De nada adiantou a súplica no coração duro da índia feiticeira que, sem se importar, expulsou a
mulher impedindo que ela levasse a salvação para os males do filho.

“Segue lenda que, ao chegar à sua casa sem a água de poderes medicinais, a mãe viu seu filho lentamente
morrer e definhar. Com raiva e dor no coração, ela voltou à fonte e lançou uma maldição praguejando Nhá Kanuta,
dizendo que a terra iria se abrir e engolir toda sua preciosa mata e a fonte”, conta o historiador Yhulds Bueno.

Após a maldição, chuvas descomunais caíram em toda região, alagando e provocando profundas valas no solo e grandes erosões nas terras de Nhá Kanuta. Um grande lago se criou, e lentamente foi engolido para dentro de um grande buraco, que depois ficou conhecido como “buracão”.

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