Operação contra “máfia” apreendeu no Guarujá lancha ligada a piloto do PCC

Segundo advogado, embarcação é avaliada em quase R$ 1 milhão e já havia sido apreendida pela Polícia Civil de São Paulo

Uma das frentes interestaduais da operação Laços de Família, da PF (Polícia Federal) de Mato Grosso do Sul, apreendeu no Guarujá, litoral de São Paulo, lancha avaliada em R$ 1 milhão, no dia 25 de junho. A suspeita é que o patrimônio seja ocultado em nome de laranja, além de ligação com o piloto Felipe Ramos Moraes, apontado como coordenador das rotas de tráfico aéreo da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Oficialmente, a lancha é do médico Alexandre Pedroso Ribeiro.

“A suspeita é que estivesse ocultando patrimônio de terceira pessoa, com envolvimento com organização criminosa. Mas temos o material probatório, a embarcação já foi declarada no Imposto de Renda e ele tem lastro financeiro para comprar a embarcação”, afirma o advogado Gabriel Vieira Rodrigues Ferreira.

Segundo o advogado, a mesma lancha já havia sido apreendida pela Polícia Civil de São Paulo, sendo surpreendido com a nova ordem judicial, agora de Mato Grosso do Sul. O advogado afirma que o médico conheceu Felipe na marina e ele atuou como um corretor na venda da embarcação, avaliada em quase R$ 1 milhão. “Felipe tinha livre acesso à marina e ao high society”, diz o advogado. A defesa solicitou o desbloqueio da embarcação.

Felipe é dono do helicóptero usado no assassinato de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, apontados como as principais lideranças soltas do PCC. Eles foram mortos no Ceará. A aeronave foi uma das sete apreendidas na operação Laços de Família.

Clã – Apontada como uma das principais fornecedoras de maconha para o PCC, a quadrilha desarticulada pela PF recebia valores milionários, joias e até veículos como pagamento pela mercadorias entregue a facção. Quem coordenava o esquema era o policial militar Silvio César Molina Azevedo, que foi preso. A atuação era semelhante à de máfia.

Segundo o delegado Nilson Zoccarato, da Delegacia de Polícia Federal de Naviraí, foi a ostentação dos integrantes da família em Mundo Novo, uma cidade de 18 mil habitantes, que chamou a atenção.

Em três anos de investigações, os agentes conseguiram interceptar mais de 27 toneladas de maconha. De acordo com o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Luciano Flores de Lima, a família “mantinham o terror” e usavam a região Conesul para retirar toneladas de maconha do Paraguai e enviar para outros Estados.

Autorizados pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, os mandados de busca e apreensão ajudam a dimensionar o tamanho do patrimônio do grupo: 136 ordens de sequestros de veículos, sete mandados para apreender aeronaves (helicópteros), cinco mandados de sequestro de embarcações de luxo e 25 mandados de sequestro de imóveis (apartamentos, casas, sítios, imóveis comerciais). As ordens judiciais foram cumpridas em MS, Paraná, São Paulo, Goiás e Rio Grande do Norte. CGNEWS