NARCOTRAFICANTE. Jarvis Pavão é condenado a mais 13 anos por narcotráfico

O condenado agia na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai, comprando cocaína da Bolívia para distribuir a traficantes no Brasil

Momento em que Pavão chega para julgamento sobre fraude em março do ano passado – Crédito: ABC Collor

Foi condenado a 13 anos e seis meses de prisão em regime fechado, o narcotraficante Jarvis Pavão, conhecido como principal fornecedor internacional de drogas entre Bolívia e Brasil através da fronteira com Paraguai.

A decisão foi tomada pela 7ª Vara Criminal de Porto Alegre na semana passada. A condenação é resultado da Operação Suçuarana, deflagrada pelo Ministério Público Federal há quatro anos no Rio Grande do Sul.
Através da operação, policiais encontraram indícios de envolvimento de Pavão na distribuição de drogas em larga escala entre Bolívia e Paraguai para o Brasil.

De acordo com as investigações, o acusado comprava cocaína na Bolívia, estocava em fazendas na fronteira de Paraguai e Ponta Porã, e depois vendia a droga para narcotraficantes brasileiros. A ação do MPF desbaratinou uma organização criminosa de narcotráfico, chefiada por Jarvis.

Em julho de 2015, a Justiça Federal condenou outras onze pessoas que participavam da organização criminosa denunciada na Operação Suçuarana que usava caminhões de uma empresa de transportes especialmente preparados para traficar a droga do Mato Grosso do Sul para outros estados – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Pavão, extraditado do Paraguai para o Brasil em dezembro de 2017, já havia sido condenado a pena de 10 anos, 9 meses e 15 dias de prisão em maio deste ano pela 5ª Vara Federal de Caxias do Sul por tráfico internacional de drogas em outra denúncia. Ele cumpre pena no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e não poderá apelar da decisão em liberdade.

CASO RAFAAT

Jarvis Pavão é suspeito em ordenar a execução de Jorge Rafaat, conhecido como Rei da Fronteira, em junho de 2016. Rafaat seria envolvido em esquemas de tráfico e seria adversário de Pavão após resistência às ordenações de facções criminosas.

Pavão é aliado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) há pelo menos oito anos.

Um ano após a execução do empresário na fronteira, o irmão de Pavão foi assassinado em frente a uma academia em Ponta Porã. Investigadores acreditam que o crime tenha sido uma represália à morte de Rafaat.

CASO IRMÃS SEQUESTRADAS

Outro caso violento envolvendo o condenado é o sequestro e assassinato das irmãs Adriana Aguayo Báez, 28, e Fabiana Aguayo Báez, 23, no ano passado. A polícia paraguaia acredita que a morte das vítimas tenha sido encomendada por Pavão.

Elas foram sequestradas, decapitadas e queimadas na zona rural de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul no dia 8 de junho.

As cabeças das duas irmãs foram encontradas em sacos pretos a 200 metros do local onde os corpos foram incinerados.

As investigações feitas revelaram que Pavão pediu ao PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar as irmãs por suspeitar que ao menos uma delas tinha conhecimento do assassinato do irmão dele, o comerciante Ronny Gimenez Pavão, no dia 14 de março deste ano em Ponta Porã.

Os indícios ligando a facção criminosa e Jarvis Pavão ao duplo homicídio surgiram após a prisão de quatro membros do PCC em Pedro Juan Caballero, no dia 14 de junho.
Dourados