Policial

Presa, primeira-dama do tráfico no Cavalão ostentava vida de luxo

Monique foi capturada em uma comunidade do Sapê

Por Mario Hugo Monken em 30/01/2019 às 11:57:29

Foto: Divulgação Polícia CivilPresa na última terça-feira (29), em Niterói, a primeira-dama do tráfico no Morro do Cavalão, na Zona Sul, Monique Pereira de Almeida tinha uma vida de luxo financiada pelo tráfico.
Ela frequentava salões de beleza (quase que diariamente), comprava roupas, fazia viagens caras, comprava passagens aéreas, pagava as despesas de duas residências (sua casa em Niterói e seu apartamento alugado em Mossoró/RN) e realizava cirurgias plásticas e tratamentos estéticos de alto custo. 
Monique foi presa por agentes da 77ª DP (Icaraí). Ela foi localizada após diligências na comunidade do Sapê e encaminhada para o presídio de Benfica.
Festinhas do tráfico
A primeira-dama do morro também organizava as «festas do tráfico», comprava bebidas para fornecê-las gratuitamente aos moradores da favela, e ainda contratava bandas de pagode e MC?s (cantores de funk) para animar os eventos. 
Monique também gerenciava o dinheiro que era utilizado para a contratação de advogados, que eram escalados para fazer a defesa dos traficantes do Cavalão quando estes são presos. Esses profissionais vão além da defesa técnica, e tentavam, a mando da primeira-dama do tráfico, angariar regalias para os bandidos da favela no interior dos presídios. 
Era ela quem entregava o dinheiro na cadeia para o marido, Reinaldo Medeiros Ignácio, o Kadá e repassava as ordens que eram emitidas por ele que eram dadas quando Monique o visitava na prisão.
A mulher de Kadá também distribuía dinheiro para os seus familiares e moradores do Cavalão, e fazia diversos depósitos bancários em casas lotéricas, com o objetivo de pulverizar a renda ilícita por ela recebida.
Propina a policiais militares
A denúncia do Ministério Público relata ainda que interceptações telefônicas revelaram que policiais receberiam propina dos traficantes do Cavalão. Segundo a denúncia, eles queriam aumentar a taxa do «arrego» de R$ 2.500,00 para a quantia de R$ 4.000,00 por dia. 
Nenhum PM foi identificado no decorrer das investigações. Por isso, não houve policiais denunciados. Segundo a Promotoria, PMs chegaram a sequestrar pelo menos dois traficantes do Morro do Cavalão, em Niterói, e pediram resgate de R$ 20 mil em ambos.  Eles ainda recebiam propinas diárias para não incomodar o tráfico na localidade.
Segundo o documento, o traficante Adriano, vulgo Rato, estava em um táxi, indo para a casa de sua segunda mulher; No trajeto, ele foi abordado por policiais militares em uma viatura Blazer; Ele foi imediatamente detido e colocado dentro da caçamba do carro, e, posteriormente, dentro de um veículo de cor preta, não identificado, que ficou estacionado em frente a uma academia de ginástica, localizada no bairro Vital Brazil, em Niterói. Foi posto em liberdade na madrugada do dia seguinte, após ter viabilizado o pagamento de propina na ordem de R$ 20.000 em espécie, dada aos policiais que o prenderam. 
Narra a denúncia que um outro bandido do Cavalão, identificado como Caio Fábio, vulgo Mídia, também foi sequestrado por policiais militares que pediram, a quantia de R$ 20.000 para libertá-lo. Como Caio conseguira apenas R$ 15.000  os policiais teriam ficado com seu dinheiro, e, ainda assim, o teriam prendido em flagrante.
O documento do Ministério Público relata ainda que interceptações telefônicas revelaram que policiais receberiam propina dos traficantes. Segundo a denúncia, eles queriam aumentar a taxa do «arrego» de R$ 2.500,00 para a quantia de R$ 4.000,00 por dia. 
Nenhum PM foi identificado no decorrer das investigações. Por isso, não houve policiais denunciados.
Lucro 
Apurou-se, no decorrer das investigações, que o lucro obtido com a venda de entorpecentes na comunidade do Cavalão gira em torno de R$ 150.000,por semana, o que garante uma vida luxuosa aos integrantes do topo da cadeia hierárquica da organização. 
De acordo com a denúncia, negocia-se na favela a compra e a venda de grandes quantidades de material entorpecente, havendo menção, em mensagens e áudios interceptados, acerca de compras que chegam a 50 quilos de droga de uma só vez. Aferiu-se, Em alguns períodos o lucro do tráfico de drogas do Cavalão chegou a ser de R$ 800.000 por mês. 
Em relação a quantia de dinheiro que era arrecadada com a venda de drogas, R$ 15 mil eram repassados mensalmente ao chefe do tráfico no morro,  Reinaldo Medeiros Ignácio, vulgo «Kadá, que se encontra preso na penitenciária federal de Mossoró (RN).   Influência política 
Outro denunciado na quadrilha, Anderson Rodrigues de França, vulgo «Goelão, que é o líder operacional do grupo. Ele exerce influência até nas campanhas políticas que são feitas por candidatos a cargos públicos na Comunidade do Cavalão, determinando quais são os candidatos que podem entrar na favela, por quais áreas eles podem transitar e por quanto tempo estão autorizados a permanecer na localidade.. 

Parte do lucro auferido com a venda de drogas no Cavalão vai diretamente para Anderson, que aplica o dinheiro recebido em imóveis. Foi apurado durante as investigações que ele compra terrenos, constrói casas e quitinetes e os aluga a terceiros.. 
Segundo as investigações, o Cavalão tem 14 bocas de fumo (pontos de venda de drogas) : Zé Areia, Pirambeira, Baú Furado, Escadaria, Inferninho, Caminho, Pistão, Estrada, Pedra, Maracanã, Divinéia, Biquinha, Beco do Igor e Beco do Bomba. Além delas, ainda são administrados, pelos gerentes, os cinco pontos de moto taxistas existentes na favela, que também funcionam como pontos de venda de drogas. 
Os mototaxistas utilizam a sua profissão como fachada para acobertar a prática de atos ilícitos diretamente ligados à traficância. Eles atuam nas seguintes localidades, todas pertencentes ao entorno do Cavalão: na Rua Joaquim Távora, ao lado da farmácia Viver Bem; na Rua Lemos Cunha, próximo à localidade denominada «Pirambeira»; na Rua Lemos Cunha, esquina com a Rua Henrique Portugal; na Rua Lemos Cunha, esquina com a Rua General Silvestre; na Rua Doutor Souza Dias, esquina com a Rua Desembargador Toledo Piza, e na Alameda Jandira Froes.
O dinheiro movimentado pelo tráfico eram mencionados por vários nomes  «PP», «PG», «cobertura», «merreca» ou «merrequinha». Os presos, que no interior das unidades prisionais constituem o «Bloco do Cavalão», recebem drogas e valores em espécie dos traficantes soltos, e têm algumas de suas despesas «extramuros» pagas com o dinheiro do crime.
A quadrilha é acusada do assassinato da manicure Jéssica Donato, por ela ser «informante» da polícia. 
Os traficantes do Cavalão abasteciam outras comunidades de Niterói servindo como verdadeiro entreposto de materiais entorpecentes. Cada quilo de maconha é vendido a R$ 1.700. 
Os criminosos da favela niteroiense compravam armas com bandidos de outras comunidades. Na investigação, é citado que os traficantes do Cavalão foram até o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para comprar um fuzil, que foi adquirido pela quantia de R$ 53.mil
Parte das drogas vendidas no Cavalão vinham do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo e até de São Paulo.
Na comunidade do Cavalão há um sofisticado sistema de alerta diante das ações policiais. Os primeiros a serem alertados pelos «atividades» são os «gerentes», depois são avisados os «vapores» e por último os demais criminosos. Apurou-se, através de mensagens e áudios interceptados, que os «atividades» ganham aproximadamente R$ 80 (oitenta reais) por dia para desempenarem suas funções. A remuneração semanal é de R$ 560 com direito a um dia de folga por semana.

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