Economia

Dólar recua ante real de olho no exterior; Ibovespa mostra indefinição

(Reuters) – O dólar caía ante o real nesta
quinta-feira, de olho na trajetória da moeda norte-americana
ante outras divisas no exterior e após o Banco Central Europeu
(BCE) anunciar que vai acabar com seu programa de compras de
títulos. A Bovespa não mostrava uma tendência clara, enquanto
BRF saltava em meio a expectativas de que Pedro Parente assuma a
presidência-executiva da companhia de alimentos.
As taxas dos contratos futuros de juros firmaram trajetória
de alta, com algum fluxo comprador sobretudo na faixa dos DIs
intermediários.

Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12h55 desta quinta-feira:

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250
CÂMBIO
O dólar recuava ante o real nesta quinta-feira, de olho na
trajetória da moeda norte-americana ante outras divisas no
exterior e após a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de
anunciar que vai acabar com seu programa de compras de títulos,
mas que isso não significava juros maiores no curto prazo.
A ação do Banco Central brasileiro ajudava a puxar a moeda
para baixo, depois que o dólar passou a subir ante algumas
divisas emergentes no exterior.
“O anúncio do BCE de que vai encerrar suas compras de ativos
é provavelmente um pouco mais ousado do que os mercados
esperavam, mas isso é temperado pela promessa do BCE de manter
as taxas de juros por mais de um ano”, escreveu a
economista-chefe da empresa de pesquisas macroeconômicas Capital
Economics (CE) para Europa, Jennifer McKeown.
O BCE decidiu nessa manhã encerrar o programa de compra de
títulos de 2,55 trilhões de euros no final do ano e informou que
os juros permaneceriam inalterados até o verão de 2019 (no
hemisfério Norte).
De outubro a dezembro, o BCE planeja comprar 15 bilhões de
euros em títulos por mês e fechar o esquema no fim de 2018.
A decisão do banco europeu vem um dia depois de o Federal
Reserve, banco central norte-americano, ter anunciado que
pretende elevar os juros quatro vezes neste ano, ambas decisões
com implicações sobre o fluxo global de recursos e impacto sobre
países emergentes, como o Brasil.
No exterior, o dólar passou a subir ante algumas divisas de
países emergentes, como o peso mexicano .
A continuidade da atuação discricionária do BC brasileiro,
entretanto, segurava o movimento no mercado local. Nesta manhã,
anunciou e vendeu integralmente um lote de até 40 mil novos
swaps cambiais, ou 2 bilhões de dólares. No começo da tarde, fez
outro leilão do mesmo tamanho, vendido integralmente.

No fim da semana passada, o BC informou que injetaria 20
bilhões de dólares até esta sexta-feira por meio de swaps
cambiais; até agora, foram 17 bilhões de dólares deste total.
O BC vendeu ainda a oferta integral de até 8.800 swaps
cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares,
para rolagem, já somando 4,4 bilhões de dólares do total de
8,762 bilhões de dólares que vence em julho. Se mantiver esse
volume até o final do mês, fará rolagem integral.
. Dólar/Real : -0,25%, a 3,7037 reais na venda;
. Euro/Dólar : -1,33%, a 1,1632 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,81%

BOVESPA
A bolsa paulista não mostrava uma tendência clara nesta
quinta-feira, tendo como pano de fundo um cenário também misto
no exterior e com as ações da BRF em destaque na
ponta positiva do Ibovespa, em meio a expectativas de que Pedro
Parente assuma a presidência-executiva da companhia de
alimentos.
No cenário internacional, repercutia a decisão do Banco
Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira de encerrar o programa
de compra de títulos de 2,55 trilhões de euros no final do ano,
enquanto também sinalizou que os juros devem permanecer
inalterados até pelo menos o terceiro trimestre de 2019.

Também no radar, as vendas do varejo nos Estados Unidos
cresceram mais que o esperado em maio, quando os consumidores
compraram veículos e uma série de outros bens mesmo pagando mais
pela gasolina, na mais recente indicação de aceleração do
crescimento econômico no segundo trimestre.
De acordo com profissionais da área de renda variável, o
mercado acionário brasileiro segue sem um gatilho no curto prazo
para uma recuperação mais sólida, dadas as incertezas ainda
elevadas no panorama político-eleitoral e sobre o ritmo da
economia no Brasil.
Um operador ouvido pela Reuters acrescentou que a atuação do
Banco Central no mercado de câmbio tem corroborado a fraqueza da
bolsa, com as ações ficando sensíveis à piora das expectativas,
enquanto, no câmbio, o BC tem ajudado a absorver esse impacto.
“Não se pode comprar dólar, então se vende bolsa”, disse.
Desde a semana passada, a autoridade monetária ampliou
significativamente a oferta de swaps cambiais, o que derrubou a
cotação da moeda norte-americana, que no pior momento chegou a
perto de 4 reais. Desde então, o dólar vem oscilando ao redor de
3,70 reais.

– BRF ganhava 6,9 por cento, em meio a
expectativas de que Pedro Parente assuma a presidência-executiva
da companhia de alimentos, que tem sofrido com uma série de
eventos negativos, que levaram as ações a acumular queda de mais
de 45 por cento apenas neste ano.

– PETROBRAS PN subia 0,33 por cento, tendo no
radar aprovação pela Câmara dos Deputados de um requerimento que
confere regime de urgência ao projeto que autoriza a petrolífera
de controle estatal a vender até 70 por cento dos campos da
chamada cessão onerosa.

– EMBRAER cedia 1,98 por cento, em sessão
negativa para exportadoras em geral, conforme o dólar mostrava
uma trégua ante o real .

– WEG tinha queda de 1,22 por cento, tendo ainda
no radar relatório do Morgan Stanley reiterando ‘underweight’,
com preço-alvo de 14 reais – embora acima dos 9,2 reais
anteriores, segue abaixo do preço corrente.

– B2W subia 5,92 por cento e MAGAZINE LUIZA
tinha elevação de 4,52 por cento, com empresas de
varejo eletroeletrônico e com forte presença no ecommerce em
destaque na ponta positiva, em meio a expectativas positivas
sobre vendas relacionadas à Copa do Mundo.

– VALE caía 1,22 por cento, apesar da alta do
preço do minério de ferro na China .

– ITAÚ UNIBANCO PN recuava 0,66 por cento e
BRADESCO PN cedia 0,15 por cento, enquanto SANTANDER
BRASIL UNIT caía 2,1 por cento e BANCO DO BRASIL
declinava 1,13 por cento.
. Ibovespa : -0,08%, a 72.063 pontos;
. Volume financeiro: R$ 3,79 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : +0,51%, a
19.505 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
O S&P e o Nasdaq avançavam nesta quinta-feira após dados de
vendas no varejo em maio nos Estados Unidos melhores do que o
esperado e após o Banco Central Europeu (BCE) prometer que não
elevará os juros da zona do euro antes de meados de 2019.
O comunicado do BCE veio como um alívio, especialmente
depois que o Federal Reserve elevou os juros nos Estados Unidos
pela segunda vez este ano na quarta-feira e sugeriu mais dois
aumentos até o final de 2018.
O BCE, no entanto, disse que vai reduzir seu programa de
estímulo de 2,55 trilhões de euros até encerrá-lo no final do
ano.
“Há alguma preocupação de que veremos uma política monetária
muito mais rígida. Mas tanto o Fed quanto o BCE, especialmente,
estão muito expansionistas neste momento e não parece que isso
vai atrapalhar a expansão que estamos vendo”, disse Scott Brown,
economista-chefe do Raymond James.
Dados divulgados nesta quinta-feira mostraram que as vendas
no varejo nos EUA cresceram mais do que o esperado em maio, o
maior avanço desde novembro de 2017, o que indicou uma
aceleração no crescimento econômico no segundo trimestre.

A Comcast subia depois que a empresa ofereceu 65
bilhões de dólares à Twenty-First Century Fox para a
Fox desistir de uma fusão com a Walt Disney, com uma oferta de
20 por cento superior. A Disney também ganhava.
. Dow Jones : +0,02%, a 25.205 pontos;
. Standard & Poor’s 500 : +0,313442%, a 2.784 pontos;
. Nasdaq : +0,83%, a 7.759 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em alta de 1,40
por cento, a 1.538 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,81
por cento, a 7.765 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 1,68 por cento, a
13.107 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 1,39 por cento, a
5.528 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de
1,22 por cento, a 22.486 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,59
por cento, a 9.957 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,10 por
cento, a 5.677 pontos.

JUROS
As taxas dos contratos futuros de juros firmaram trajetória
de alta nesta quinta-feira, com algum fluxo comprador sobretudo
na faixa dos DIs intermediários e após a queda do dólar ante o
real perder força.
“Dado que o câmbio está monitorado (pelo Banco Central), o
mercado está atuando em outras frentes, como os DIs”, citou o
gestor de derivativos de uma corretora local, ao lembrar que
seguiam as preocupações entre os investidores com a cena fiscal
e as eleições presidenciais, que remetem à possibilidade de alta
de juros num futuro próximo.
A curva a termo de juros continuava mostrando apostas
majoritárias de alta de 0,25 ponto percentual da Selic na semana
que vem, com o restante indicando manutenção, segundo dados da
Reuters.
A visão de economistas, no entanto, difere da precificação
da curva, com alta dos juros ocorrendo apenas mais para a
frente. Isso porque a sinalização dada pelo próprio presidente
do BC, Ilan Goldfajn, é de manutenção da taxa básica de juros,
hoje na mínima histórica de 6,50 por cento ao ano.
“A curva está um pouco distorcida com o nervosismo recente”,
comentou o gestor.
O mercado doméstico piorou após a greve dos caminhoneiros,
em maio, elevar as preocupações com a deterioração do quadro
fiscal do Brasil, com a redução do preço do diesel gerando
impacto bilionário sobre as contas do governo.
Além disso, pesquisas eleitorais mostraram dificuldade dos
candidatos que o mercado considera como mais comprometidos com
ajustes fiscais de ganhar tração na corrida presidencial.
Assim, o BC e o Tesouro vêm atuando conjuntamente para
tentar dar equilíbrio aos mercados de câmbio e de DIs. A
autoridade monetária tem feito fortes atuações, contribuindo
para manter o dólar orbitando ao redor de 3,70 reais nos últimos
dias.
Nesta sessão, o Tesouro comprou 1,4 milhão de Notas do
Tesouro Nacional série F (NTN-F), quase a integralidade da
oferta de até 1,5 milhão de papéis, sem ter vendido nenhum papel
da oferta de até 300 mil.
Comprou 800 mil papéis de NTN-F com vencimento em 2029
, com taxa de 11,88 por cento, ante 11,87 por
cento no consenso.
Mais cedo, os DIs tinham leves oscilações, na esteira da
queda do dólar ante o real e após o Banco Central Europeu (BCE)
ter anunciado que vai acabar com seu enorme programa de estímulo
via compra de títulos, mas que isso não significava juros mais
elevados no curto prazo.
“A sinalização mais ‘dovish’ quanto aos juros deve ter um
impacto mais relevante”, comentou mais cedo a corretora
Coinvalores em relatório.
O BCE anunciou que vai encerrar o programa de compra de
títulos de 2,55 trilhões de euros no final do ano e informou que
os juros permaneceriam inalterados até o verão de 2019 (no
hemisfério Norte).
De outubro a dezembro, o BCE planeja comprar 15 bilhões de
euros em títulos por mês e fechar o esquema no fim de 2018.
A decisão do BCE vem um dia depois de o Federal Reserve,
banco central norte-americano, ter anunciado que pretende elevar
os juros quatro vezes neste ano, ambas decisões com implicações
sobre o fluxo global de recursos e impacto sobre países
emergentes, como o Brasil.
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (p.p.)
(%)
JUL8 6,53 6,502 0,028
JAN9 7,445 7,23 0,215
JAN0 9,13 8,88 0,25
JAN21 10,12 9,94 0,18
JAN23 11,43 11,35 0,08

DÍVIDA
Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos recuavam
nesta quinta-feira, depois que o Banco Central Europeu (BCE)
sinalizou que manterá os juros baixos por mais tempo do que
muitos investidores esperavam.
O BCE decidiu encerrar seu programa de compra de bônus de
2,55 trilhões de euros no final deste ano e informou que a taxa
de juros permanecerá inalterada até o terceiro trimestre de
2019.
Como resultado, os operadores rejeitaram as expectativas de
aumento da taxa até setembro de 2019, três meses depois do que
haviam antecipado anteriormente.
Os rendimentos dos Treasuries foram brevemente maiores
depois que o Departamento de Comércio norte-americano informou
que as vendas no varejo dos EUA subiram 0,8 por cento em maio, o
maior avanço desde novembro de 2017.
Os dados chegaram um dia depois que o Federal Reserve, banco
central dos EUA, elevou os juros, como o esperado, com seu
chair, Jerome Powell, afirmando que “a economia está indo muito
bem”.
As autoridades monetárias do Fed também emitiram novas
projeções econômicas indicando ritmo um pouco mais rápido de
aumento da taxa básica nos próximos meses, com mais dois
aumentos esperados até o final deste ano, ante previsão de
apenas uma alta adicional.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em queda a
2,9553%, ante 2,979% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em alta a 5,6813%, ante
5,676% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo continuavam sob pressão com o evidente
aumento da produção nos Estados Unidos e da incerteza sobre as
perspectivas de oferta antes de uma reunião importante da
Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
. Nymex – JUL/17 : -0,11%, a 66,57 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent AGO/18 : -0,94%, a 76,02
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Iuri Dantas)
((paula.laier@thomsonreuters.com; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: paula.laier.thomsonreuters.com@reuters.net))

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