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Vasectomia acaba com a ejaculação? Afeta ereção? Tire dúvidas

Vasectomia acaba com a ejaculação? Afeta ereção? Tire dúvidas

Uol

Falar em vasectomia deixa muito homem receoso. A cirurgia é simples, mas por ser em uma região, digamos, sensível, causa preocupações sobre o futuro da vida sexual masculina e a possibilidade real de gravidez depois da cirurgia.

Para desmistificar o procedimento, tiramos algumas dúvidas.

Como é feita a cirurgia?

A vasectomia nada mais é do que interromper o fluxo de espermatozoides em dois canais, os chamados dutos deferentes.

“Esses tubinhos, responsáveis por levar os espermatozoides produzidos nos testículos até próximo à próstata, são cortados na operação”, explica Flávio Trigo, urologista do hospital Sírio-Libanês.

Sem um caminho para que os espermatozoides possam sair pelo pênis, o homem fica infértil.

Vai doer?

O procedimento é simples, com anestesia local, demora cerca de 20 minutos e o paciente pode voltar para casa dirigindo. “É bom evitar exercícios intensos e sexo por sete dias, mas é uma recuperação tranquila”, afirma Bertero.

No pós-operatório, o homem pode sentir um incômodo na região dos testículos, mas o uso do analgésico garante a melhora, segundo Rafael Ferreira Coelho, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

É 100% eficiente?

O método é confiável, tem poucas chances de falha. Para garantir o sucesso os dutos deferentes são cortados, amarrados, queimados e até desalinhados durante a cirurgia, deixando a regeneração quase impossível. “Existe uma pequena chance dos ductos deferentes espontaneamente se ligarem, mas é coisa de um caso em dois mil, é raro”, afirma Coelho.

Quando a operação não funciona, geralmente a causa é uma infecção que leva à recanalização, de acordo com Trigo. Para evitar a gravidez, o médico informa o paciente sobre a complicação e aconselha o uso de camisinha até analisar o quadro clínico.

Quem sair da operação já pode transar sem medo de gravidez?

Calma! Ao operar, os canais que mandam o espermatozoide são cortados, mas algum esperma pode ficar no meio do caminho. Para evitar que os últimos sobreviventes fecundem, é melhor esperar.

O recomendado é aguardar 40 dias. Nesse período, o paciente deve usar outro método anticoncepcional durante as relações. Ao fim dessas semanas, ele deve fazer um espermograma para ver se o número de espermatozoides foi zerado. Normalmente, o homem tem mais de 15 milhões de espermatozoides por mililitro de esperma.

Ainda vou ejacular?

Continua tudo igual. O que é liberado pelo pênis é 50% secreção da vesícula seminal, 40% secreção da próstata e até 10% de espermatozoides. Assim, a quantidade e o aspecto do líquido ejaculado não se alteram, fica impossível saber quem fez ou não fez a operação sem colocar o líquido no microscópio.

A produção de testosterona também não é afetada no processo. O hormônio, também produzido no testículo, vai direto para o sangue e não é afetado pelo corte dos dutos, então não há alteração.

É preciso ir ao psicólogo?

Se você achar que precisa conversar com um especialista, não hesite. Mas não é obrigatório. De qualquer forma, por lei não é permitido marcar a cirurgia muito rapidamente.

“Da primeira consulta até a cirurgia é preciso ter um intervalo de 60 dias, tempo em que o paciente pode ter apoio psicológico, repensar e decidir”, afirma Coelho.

A mulher tem que autorizar o procedimento?

Pois é, de acordo com a lei nº 9.263, ambos os cônjuges têm que estar de acordo com a vasectomia.

O texto especifica também que a esterilização voluntária só é permitida em “maiores de vinte e cinco anos de idade, ou, pelo menos, com dois filhos vivos”, desde que o prazo dos 60 dias entre vontade e cirurgia sejam respeitados.

Além disso, caso uma gravidez tenha colocado a mãe em risco de vida, a medida também pode ser adotada.

Vai afetar a ereção, a libido ou o desempenho sexual?

“Em uma pesquisa que fiz na USP (Universidade de São Paulo) analisei homens que fizeram a vasectomia e o desempenho depois da operação melhorou em 60% deles”, conta Bertero. Segundo ele, o casal fica mais relaxado, sem se preocupar com gravidez ou preservativo, e tem relações melhores.

Posso voltar atrás?

É possível fazer uma cirurgia que acaba com a infertilidade, mas ela é mais complexa e minuciosa, precisa ser feita em ambiente hospitalar com uso de microscópio.

“E, nem sempre é eficaz. O fator decisivo é o tempo: se for após cinco anos da vasectomia, há sucesso em 80% dos casos, de 5 a 10 anos após a primeira operação, o sucesso já cai para 50%, se passar de 10 anos, apenas 30%”, afirma Trigo.

O que acontece é que com a vasectomia você amarra os tubos deferentes, aumentando a pressão dos tubos no testículo. Em resposta, o organismo vai parando de produzir o espermatozoide, os canais vão atrofiando e é difícil reativá-los.

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