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Socorrido em fazenda foi espancado até a morte pelo patrão, diz polícia

Socorrido em fazenda foi espancado até a morte pelo patrão, diz polícia
Homicídio ocorreu em fazenda no distrito de Anhanduí

Danielle Valentim

A Polícia Civil concluiu as investigações sobre as causas da morte do idoso Ramão Ferreira Gonçalves, de 63 anos, socorrido por uma equipe do Samu (Serviço Móvel de Urgência) em fevereiro, no Distrito de Anhanduí. A princípio, a vítima que morreu na Santa Casa de Campo Grande, teria sofrido um AVC, mas conforme as investigações foi espancada a pauladas pelo patrão.

Na época, aos socorristas, que buscaram a vítima em área de mata na Fazenda Cascatinha, localizada a 4 Km à frente do posto de pedágio da CCR MSVia, na BR-163, o patrão Nilton César dos santos, de 46 anos, e outra testemunha informaram que Ramão havia ingerido muita bebida alcoólica, caído e fraturado o nariz na queda.

O corpo da vítima foi enviado ao Imol (Instituto Médico Odontológico Legal) e exames constataram hemorragia nos olhos, tórax e abdômen, hematomas nas regiões laterais do pescoço, fratura completa do 6º arco costal anterior esquerdo e presença de 3 litros de sangue na cavidade abdominal.

Diante da situação, a dupla de testemunhas foram intimadas e a versão inicial era de que ao chegarem na fazenda, por volta de 8h30, Nilton e um funcionário foram retirar a cerca velha existente. Ramão teria ficado no acampamento ingerindo bebida alcoólica, e que ao retornarem às 17h, ele já estava dormindo.

Ainda conforme depoimento, Ramão teria acordado, por volta de 22h, pedindo água, vomitando, urinando e defecando na roupa que trajava. Segundo Nilton, Ramão apresentava inchaço na região do pescoço para cima, sangue lhe escorria dos olhos e nariz, sem que houvesse ferimento e ele entendeu que poderia ser um AVC.

Inicialmente, o outro funcionário apresentou versão semelhante, mas ao ser confrontado com o laudo necroscópico, que contém várias fotografias coloridas do corpo da vítima, confessou que no dia do crime, foi o único a trabalhar, já que Ramão e Nilton permaneceram no acampamento ingerindo pinga.

A testemunha relatou que ao retornar, por volta das 17h, viu Nilton com um pedaço de madeira agredindo Ramão que já estava caído sobre um colchão. O funcionário disse à polícia, que teria perguntado o motivo das agressões a Nilton, que não respondeu. A testemunha sugeriu socorrerem a vítima, mas Nilton determinou que deixassem Ramão no local e saiu para pescar.

Por volta das 22h, a situação teria piorado e Ramão passou a pedir água. A testemunha insistiu que buscassem socorro e o patrão concordou, relatou a testemunha. Mesmo sendo o responsável, se negou a acompanhar a vítima na viatura do Samu.

Ramão morreu na Santa Casa, por volta de 12h30. Os familiares chegaram a ser avisados, por Nilton, sobre a morte, mas que a vítima teria sofrido uma queda.

O caso foi esclarecido pelos policiais da 4ª Delegacia de Polícia, em investigação coordenada pela delegada Célia Maria Bezerra da Silva. Nilton, também conhecido como “Zé do Rolo”, negou o crime, mas foi indiciado por homicídio doloso, com pena prevista de seis a vinte anos de reclusão.

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