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Quadrilha usava ‘caveirão da morte’ para execuções no RS, diz polícia

Exames de DNA comprovaram que duas pessoas foram mortas no veículo.
Polícia acredita que até 40 vítimas possam ter sido executadas no ‘caveirão’.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou através de exames de DNA que uma quadrilha de traficantes de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, usava um veículo blindado artesanalmente, conhecido como ‘caveirão da morte’, para cometer assassinatos de desafetos e queimas de arquivo. A polícia acredita que até 40 pessoas possam ter sido mortas no carro.
O veículo tem chapas de ferro para proteção do motorista e passageiro, com uma abertura para atirar a partir do banco de trás. No porta-malas, os policiais localizaram três furos, que seriam usados para o escoamento de água e sangue.
“Em 17 anos de polícia, com esse carro, eu realmente me surpreendo com a capacidade engenhosa do ser humano para praticar o mal. Era um carro de guerra. O que se ouve é que quando o caveirão saía, alguém ia morrer”, disse o diretor de Polícia Metropolitana, delegado Marcelo Moreira.

O carro foi encontrado em setembro após os desdobramentos de uma megaoperação chamada Clivium (do latim declive, porque os chefes da quadrilha viviam em uma ladeira) deflagrada em 25 de junho, nas cidades de Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha e Sapucaia do Sul, quando 23 pessoas foram presas.
A quadrilha é chefiada pelos irmãos Vinicius Otto, João Paulo Otto e Eduardo Otto, todos de Gravataí, e já presos por crimes ligados ao tráfico de drogas, sequestro, uso de armamento restrito e homicídio.

Durante a investigação, os policiais ouviram relatos do caveirão e acabaram apreendendo o veículo em 14 de setembro.
Através da realização do exame de DNA, com base em amostras coletadas no porta-malas e no banco do veículo, foi confirmado, na quinta-feira (22) que ao menos duas pessoas foram mortas com o blindado do crime.

Foi encontrado no veículo material genético de Luis Antônio Oliveira Alves, mais conhecido como Godzila, morto em abril, e de Paulo Diego da Silva Barbosa, o Boquinha, um desafeto da quadrilha, morto também neste ano.

Entre os detidos na megaoperação deflagrada em junho estão três matadores da quadrilha que comandavam as ações realizadas com a ajuda do caveirão: Elivelton Araújo da Costa, o Nenê, Marco Antônio dos Santos Pires Gonçalves, o Gatorade, e Anderson Silva Lisboa, o Orelha.

Gatorate é suspeito de ter matado entre 30 e 40 pessoas. Ele seria o principal responsável pelos crimes cometidos com o carro. Por isso, a polícia acredita que o veículo tenha sido utilizado para todas essas execuções. No entanto, o exame de DNA confirmou apenas duas mortes.
Durante a ação de apreensão do carro, a polícia encontrou com a quadrilha drogas e armamento de uso restrito, como um equipamento que transforma uma pistola de 9mm em metralhadora.

g1

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