Brasil

Produtores de MS atuam na criação de Cooperativa com frigorífico para vender e exportar carne

O presidente da Acrissul, Jonatan Pereira Barbosa, classificou o produtor rural como um mágico que consegue transformar seu negócio. O setor que menos foi atingido pela crise econômica do país é o agronegócio e que ainda segura a balança comercial.
O pecuarista adiantou que para evitar problemas que acontecem durante a negociação com frigoríficos na hora de vender o gado para o abate, a Associação vai formalizar um grupo, que terá a incumbência de criar uma cooperativa dos produtores. A ideia, segundo explicou Jonatan, é ter um frigorífico e, a preço justo, podermos comprar e levar o produto ao nosso consumidor. Além disso, a proposta também vislumbra a exportação de carnes.
Outra informação dada pelo presidente da Acrissul é sobre a Expogrande de 2016, que segundo ele, voltará a ter o seu glamour e confirmou dois grandes shows, Wesley Safadão e o quarteto formado pelas duplas Bruno e Marrone e Chitãozinho Xororó.
A Crítica – Qual foi o perfil do agronegócio em MS durante este ano de 2015?
Jonatan Pereira Barbosa – O Mato Grosso do Sul ainda é essencialmente o Estado do agronegócio. A gente, como filho daqui, gostaria muito que ele tivesse outras alternativas com um parque industrial forte, comércio pujante e outras possibilidades também. Mas o agronegócio daqui, apesar das dificuldades do País e até do Estado, foi bem. Tivemos a valorização da carne, também uma supersafra, onde inclusive a chamada safrinha não se pode mais usar o termo no diminutivo, hoje é uma grande safra. Acredito que nesta parte estamos cumprindo com nossa tarefa brilhantemente.
A Crítica – O agronegócio é o carro-chefe que move a economia do País em crise. O Centro-Oeste representa mais de 50% do PIB nacional e Mato Grosso do Sul se encaixa nessa contribuição. O produtor com essa crise consegue acompanhar a evolução tecnológica?
Jonatan Pereira Barbosa – Sempre foi e será também assim. O Brasil se não fosse o agronegócio teria sempre um déficit total em sua balança de pagamentos. Em relação ao produtor, ele é um ‘mágico’. O produtor consegue se superar também nas dificuldades. Realmente, sem crédito às vezes, ou com crédito com juros muito alto, ele se adapta, improvisa e consegue se superar e tirar uma mega produção a cada safra.
A Crítica – Ao se falar em valorização da carne, vemos muitas reclamações por parte dos criadores de que o valor pago pela arroba fica abaixo do esperado e, em contrapartida o consumidor paga um preço alto na prateleira, o que acontece então?
Jonatan Pereira Barbosa – Isso é uma verdade. Como presidente da Acrissul penso em constituir uma equipe de trabalho para criarmos uma cooperativa nesse Estado. Não queremos ficar na mão de nenhum frigorífico. Queremos que o consumidor na ponta tenha um preço justo daquilo que ele merece comer que é a carne. Vamos então estudar a criação dessa cooperativa e termos frigorífico para podermos atuar em conjunto produtor/consumidor.
Na verdade não tem como em dezembro o valor da arroba estar caindo, quando o dólar sobe. Os grandes frigoríficos têm grandes contratos de exportação que é tudo feito no dólar. Se você paga a arroba no Real e com prazo de 30 dias, como esse frigorífico diz que não está ganhando, se ele vende em dólar e a vista. Nem agiota ganha mais do que isto. Hoje por exemplo, como um frigorífico em Nioaque, pague neste momento R$ 3 a mais por arroba a vista, quando aqui, o JBS paga 3 reais a menos e com prazo de 30 dias. Tem alguma coisa errada, isso aí está muito estranho e vamos aprofundar a nossa pesquisa.
A Crítica – A criação de uma cooperativa já foi proposta anteriormente e não foi levada adiante, por que?
Jonatan Pereira Barbosa – Mudou o quadro da atualidade. Os frigoríficos naturalmente eram em maior número na época. Hoje, a situação é diferente com o fechamento de muitos frigoríficos pequenos e de médio porte. Já existem comentários de que se criou um cartel, não posso dizer o mesmo por não poder provar, mas a história hoje é diferente. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em Brasília, onde temos participação pelo Estado de Mato Grosso do Sul, será oficiado por esse movimento estranho que acontece nesse final de ano no mercado da carne.
O consumidor está mais rigoroso na qualidade de sua carne e recentemente foi lançado o selo verde da carne de qualidade em Mato Grosso do Sul. Essa é uma alternativa futura?
Não resta dúvida, inclusive a Acrissul faz parte dessa comissão e antenção é exatamente a qualidade. Vou citar um caso: Campo Grande come carne muito ruim, carne de vaca, não que a vaca não tenha carne boa. Mas quando ela é abatida são vacas de descarte, 90% das vacas abatidas são animais velhos, que não reproduz mais. Então, não é uma carne nobre, aqui não se come carne de boi, nem de confinamento, esse tipo de carne vai tudo pra fora do Estado. Hoje, o consumidor está mais esperto, ele está exigindo uma qualidade melhor e é por isso que tem esse diferencial do Selo Verde.
A Crítica – Em relação a outras culturas como suínos e aves, porque a produção do Estado ainda não é tão forte?
Jonatan Pereira Barbosa – O que acontece é que nossas plantas frigoríficas para suínos e aves são muito defasadas, elas não foram modernizadas. Então, praticamente você tem de vender só o frango como frango, ou o suíno abatido quase que pela metade. Por isso o governo estadual concedeu uma renúncia fiscal para a planta do JBS. Assim, a partir de agora quatro localidades de MS vão produzir outros tipos de cortes. Por exemplo, Sidrolândia vai ter abate de perus. Não é mais somente o frango, podemos ter também o chester. Tudo está sendo programado, são 6 mil empregos diretos a mais no Estado, fora os indiretos.
Nos suínos em São Gabriel e Dourados, teremos lombinho de porco defumado, produtos de exportação e mais cortes, como costelinha e outras partes. Não sairá mais o porco in natura praticamente. Então, isso é o que faz a diferença, você poder produzir certos tipos de opções, que trará o valor agregado.
Hoje quando você pergunta sobre a produção de soja, milho, elas cresceram bastante, mas o que fazemos dessa produção, vamos vender só no grão? Precisamos criar os subprodutos, tanto que a cooperativa Coama vai abrir mais uma usina de esmagamento de grãos. E com esse esmagamento de grãos vamos transformar o suíno em diversos tipos de cortes para exportar. E as aves, não o frango, em várias opções para o mercado interno e externo.
A Crítica – Em relação à soja, como industrializar a matéria-prima aqui produzida no Estado?
Jonatan Pereira Barbosa – O óleo já estamos produzindo, precisamos de outros derivados. Aí cabe a implantação de incentivos para atrair indústrias de fora, como São Paulo, Rio de Janeiro, MInas Gerais, que querem vir para os locais onde tenham a matéria-prima, porque esses estados já não produzem tanto soja. Aqui em nosso Estado temos matéria-prima, tanto da agricultura como da pecuária e estará em território onde vai se instalar essa usina industrial.
A Crítica – Em 2016 qual a expectativa de melhoria para produtor?
Jonatan Pereira Barbosa – Olha 2016 é uma incógnita. A partir de Campo Grande, da Lama Asfáltica, do Aquário, vai parar lá na Petrobras. Não sabemos o que virá pela frente. Embora o campo quer produzir e trabalhar em paz. Então, que nos deixem trabalhar em paz. Parem de fomentar problemas de terras, com invasões. Essa situação só traz instabilidade, insegurança jurídica. Se o produtor não for incomodado, ele garante o Brasil.
A Crítica – Nessa garantia inclusive vemos a abertura do mercado exterior para os produtos como carne e grão do Brasil, como o produtor conseguirá fomentar tudo isso para ele?
Jonatan Pereira Barbosa – ‘O Brasil é a bola da vez’. Não tem para onde correr, ou compra do Brasil, ou passa fome. E o Brasil produz o que é de bom, tanto na agricultura como na pecuária. Infelizmente o que acontece é que tem muita gente lavando dinheiro, fazendo negócios escusos. O frigorífico que trabalhar corretamente não tem como deixar de ganhar e ganha dinheiro limpo. O que não pode é fazer grandes lances para corromper ou ser corrompido.
A Crítica – Em relação à agricultura, quando Mato Grosso do Sul deixará de ser importador de vários gêneros e passará a ser um dos principais produtores?
Jonatan Pereira Barbosa – Recentemente estive com o secretário Fernando Mendes Lamas (de Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul), amigo dessa associação onde temos diversas parcerias com o governo, como Novilho Precoce, solo degradado e outras, sugeri em conversa que seria a hora de termos aqui uma política de cinturão verde. Ele me respondeu que, por meio da Agraer está sendo implantado e desenvolvido, a partir da agricultura familiar. É um projeto para termos a quantidade de alimentos que importamos de outros locais como São Paulo e Paraná. Poderíamos produzir aqui legumes, verduras e frutas, que vêm de fora. Mas o governo está pensando nisso garantiu para mim o secretário. Luto nesse meu mandato para que esse tipo de importação de hortifrutigranjeiros pare. Temos de produzir o nosso, para o nosso povo.

A crítica
Autor: Alberto Gonçalves
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