Beleza

Por que a expressão “grelo duro” não me ofende

Por: Folha de Dourados
A revolução será feminista!
(*) Nathali Macedo

Usei algumas horas do meu dia tentando compreender por que o termo “grelo duro” utilizado pelo ex-presidente Lula para definir as feministas petistas seria ofensivo. Primeiro porque, quando um termo é ofensivo, o meu detector de machismo costuma funcionar muito bem: a revolta é instantânea.

Ademais, não me ofenderia por ser chamada de mulher de grelo duro. Quando estou de grelo duro – literalmente, quero dizer – isso não costuma me incomodar, muito pelo contrário, aliás.

Trocadilhos providenciais à parte, o que Lula quis dizer – e que foi, como já era de se esperar, manipulado pela grande mídia – é o que Brasil precisa das mulheres fortes – nós, as mulheres de grelo duro – na luta contra as intenções golpistas de uma direita fascista.

O que ele quis dizer – e disse – é que nós precisamos nos levantar contra os políticos que, além de sórdidos, são machistas em suas relações pessoais. Contra Aécio Neves, acusado de agressão física contra a esposa; FHC, que manteve um relacionamento abusivo com sua amante e pressionou-a a abortar contra a sua vontade; contra Bolsonaro, que disse à Maria do Rosário que não a estupraria porque “ela não merece”.

“Faz um movimento da mulher contra esse filho ****. Porque ele batia na mulher, levava ela pro culto, deixava ela se f****, dava chibatada nela. Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?”

Nenhum conselho poderia ser mais certeiro: um movimento de mulheres contra os misóginos que não suportam ver uma de nós na Presidência da República, contra o conservadorismo que nos atinge mais fortemente do que aos homens, contra a elite que se recusa a reconhecer os próprios privilégios e por isso – só por isso – sente-se representada por políticos que, além de corruptos, são opressores em suas vidas privadas.
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E para lutar contra isso, só mesmo as mulheres de grelo duro. E são elas que vão salvar o país.

A revolução será feminista.

(*) Colunista, autora do livro “As Mulheres que Possuo”, feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. Canta blues nas horas vagas.
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