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Paraíso para amantes de peixes, Noruega tem até pescaria da janela do hotel

Paraíso para amantes de peixes, Noruega tem até pescaria da janela do hotel

Junho de 2016, Ålesund. Um viajante empresta uma vara de pesca na recepção do Hotel Brosundet, localizado em frente ao porto, no coração da cidade. Apesar do estabelecimento não encorajar a prática, por causa do mau cheiro, as janelas de seu quarto dão para a água e ele não pensa duas vezes: lança o anzol. E tem sorte na pescaria.

Peixes e frutos do mar fazem parte da base da culinária norueguesa, e são saboreados desde o café da manhã até o final do dia. Eles também representam mais de 30% da exportação do país, tornando-o líder em fornecimento para toda a Europa, de acordo com dados da organização internacional Eurofish. Por isso, nada mais coerente do que encontrar muitas espécies locais em menus de restaurantes de norte a sul do país escandinavo.

E é numa ilha próxima a Bergen, a segunda maior cidade da Noruega, em que se pode experimentar peixes tão frescos quanto possível. No restaurante Cornelius, o chef mergulha quase que diariamente para pescar. Crustáceos como lagostas são mantidos vivos em um tanque. Para chegar ao local, só de barco, em uma travessia que dura cerca de meia hora. A refeição ocorre em um salão envidraçado, com vista para o entorno e ao pé do mar.

Por ali, o menu meteorológico é a melhor opção. Como o nome sugere, ele depende do que pode ser encontrado nas águas próximas à ilha durante a temporada. No dia da visita, a carne de caranguejo foi servida crua e sem qualquer tempero, “como sempre deve ser”, na opinião de um dos cozinheiros que trouxe o prato à mesa. Ela pairava sobre um refrescante gaspacho de melancia e manjericão. Durante o jantar, também fizeram sucesso o salmão curado por seis horas e o peixe branco com abobrinha crocante e abóbora.

A experiência não sai barata. Custa 895 coroas norueguesas com três pratos (R$ 335) ou 1.095 coroas (R$ 410) com cinco pratos. Ambos incluem o traslado de navio, mas não bebidas. Vale lembrar que a Noruega é um país caro para comer e beber. Num bar, um chope pode facilmente sair a R$ 35, por exemplo.

Segundo a Innovation Norway, companhia pública norueguesa, cerca de um terço do bacalhau exportado pela Noruega tem como destino o Brasil. A tradição da pesca do “cod”, como eles chamam o peixe fresco que será posteriormente salgado e seco para dar origem ao bacalhau, está presente em Ålesund, cujo porto tem papel importante na exportação.

Para consumir o peixe ali mesmo, vá ao restaurante XL, famoso por servir o bacalhau em cinco diferentes estilos. O clássico remete às raízes norueguesas, levando bacon e purê de ervilhas. Já a Parma inclui presunto cru no preparo –ambas foram as preferidas durante a visita. A versão “com natas”, em alusão ao modo de preparo lusitano, chega irreconhecível, carregada no curry e açafrão.

Curiosos não podem sair sem provar carne de baleia. No cardápio, a opção é um carpaccio servido com folhas, rabanete e “cranberry” ao custo de 143 coroas (R$ 54). Trata-se de uma carne bem escura (imagine uma beterraba bem madura), de sabor forte e característico. Guarda uma semelhança com carne de vaca.

Fábricas de conserva eram numerosas em Stavanger entre 1890 e 1960. Em 1900, para se ter uma ideia, das 34 indústrias da Noruega, 14 estavam por lá.

O Museu da Conserva funciona em uma dessas antigas fábricas. Desativada em 1958, o local manteve maioria dos maquinários. Um dos fornos, aliás, continua em pleno funcionamento. Quem faz sua visita no primeiro domingo do mês ou às terças e quintas durante o verão europeu pode provar sardinhas defumadas ainda quentes, recém-saídas do forno.

Se tiver a chance, peça uma visita guiada. Saber a história por trás de cada item em exibição faz toda a graça do passeio. Se optar pelo tour sozinho, carregue um panfleto explicativo e, antes de ir embora, não deixe de passar pelo andar superior para conferir uma grande coleção de rótulos antigos.

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