Economia

Ideia de graduanda brasileira é apresentada em evento da ONU

Valéria Turozi Lazaretti, do curso de Agronegócio, criou produto para reduzir perda de espigas de milho no processo de colheita. Valéria Turozi Lazaretti, do curso de Agronegócio, criou produto para reduzir perda de espigas de milho no processo de colheita.

Uma ideia que ganhou o mundo! A estudante do curso de tecnologia em Agronegócio da Unoeste, Valéria Turozi Lazaretti, de 20 anos, não imaginava que o desenvolvimento de um produto para reduzir a perda de espigas de milho no processo de colheita seria apresentado na Conferência Internacional de Segurança Alimentar, realizada em Ithaca, Nova Iorque (EUA), de 11 a 14 de outubro. O evento é vinculado à ONU, por meio da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A intenção inicial era auxiliar na propriedade rural da família em Cafeara, norte do Paraná. No entanto, a jovem levou essa proposta para dentro da sala de aula e, então, desenvolveu estudo denominado “Apanhador de Espigas para Reduzir as Perdas na Plataforma de Milho”, orientado pelo professor doutor Alexandre Godinho Bertoncello, que representou a universidade no evento internacional. A partir dessa viagem, houve o interesse de universidades da França, Canadá, México e África em estabelecer futuros acordos com a Unoeste, ampliando sua internacionalização.

“Desde pequena acompanho meu pai que é agricultor. Observando o problema das espigas que se desprendiam da planta, antecipadamente, e que caíam para frente da plataforma, resultando assim em perdas, resolvemos desenvolver essa peça que é encaixada na plataforma para segurar essas espigas que se perdiam no chão. Meu pai, com a experiência prática em solucionar problemas, falou comigo sobre um ‘apanhador de espigas′. Eu, com a experiência acadêmica, consegui moldar essa peça até chegar a um ponto de eficiência”, diz a estudante do 6º termo.

Valéria ressalta que a graduação abre um leque de oportunidades, a começar pela disciplina de Projeto Empreendedor, estimulando a inovação. Conforme ela já foi feito um experimento para comprovar a eficiência da peça. “Depois que instalamos o produto na plataforma, o resultado da colheita saltou de 178 para 192 sacas, ou seja, houve um aumento de 14 sacas no alqueire, que representa 7,3% do total. Sendo a saca entregue na cooperativa por um valor médio de R$ 22, isso representa aumento da receita de R$3.916 para R$4.224. O produtor deixa de perder em média R$ 308 por alqueire”. Com o uso da peça, além do aumento da renda, há uma contribuição relacionada ao abastecimento de alimentos no mundo.

Para o coordenador da graduação em Agronegócio, José Luís de Lima Astolphi, esse projeto estimula os graduandos a acreditarem nos seus estudos e que com horas de dedicação, esforço e apoio docente, existe a possibilidade de fazer algo diferente, que pode trazer resultados positivos. “Desde 2009, as primeiras turmas do curso já mantinham essa relação com o empreendedorismo e a inovação, o que oportuniza aos alunos colocarem em prática seus projetos. Portanto, nossa grade curricular estimula a execução de bons trabalhos, como esse da Valéria”.

Conferência mundial – Bertoncello esteve nos Estados Unidos para apresentar o estudo e percebeu que a comunidade internacional tem curiosidade quanto aos projetos do Brasil. Ele disse que foi uma oportunidade importante de estar entre representantes do mundo todo, quanto ao assunto agricultura e segurança alimentar. “É uma forma de mostrar a universidade, o que ela faz, ainda mais com uma ideia que pode ser implantada e contribuir dentro do cenário que vai muito além das nossas fronteiras” completa o docente.

Mais sobre o produto – A peça desenvolvida e testada é feita especialmente para a plataforma da marca New Holland, modelo BM5, ano 2005. Porém, a universitária pretende desenvolver outros tipos para o atendimento de diferentes modelos e marcas de plataforma.

“Nossa pesquisa foi desenvolvida para as colheitadeiras mais antigas [são muitas no Brasil, conforme dados coletados no estudo], que ainda não contam com auxílios de diminuição de perdas da plataforma, atendendo e beneficiando assim o agricultor familiar, ou seja, os pequenos e médios produtores. Se bem fixada e preservada na plataforma pode ter uma vida útil de até cinco safras”, finaliza Valéria. (fonte: idest.com.br)
FONTE: Unoeste

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