Economia

Guerra nas Estrelas: a soja em 2016

Por Ivan Wedekin

Já faz um bom tempo que os preços futuros da soja estão relativamente acomodados em torno de US$ 9 por bushel em Chicago, tanto para o primeiro vencimento (janeiro de 2016) como para os vencimentos mais longos (novembro de 2016, por exemplo). Nessa perspectiva, nada de novo no front do mercado. Todavia, fatos novos poderão alterar o “tédio” no mercado de soja.

“Estrela da Ásia” – no lado da demanda, não há nenhuma mudança à vista. A demanda é como um navio, não muda a velocidade de cruzeiro de uma hora para outra. Tudo certo que a China crescerá menos em 2015/2016, mas de todo modo a Ásia continuará sendo o polo dinâmico que coloca o complexo soja como campeão da taxa de crescimento do consumo mundial, entre todos os produtos do agronegócio.

“Estrela do Norte” – preste atenção no lado da oferta, que poderá apresentar mudanças importantes. Vamos aos Estados Unidos. O panorama atual de preços indica a possibilidade de aumento da área plantada de milho e redução da área de soja no plantio do 2º trimestre de 2016. Essa tendência é explicada pelos preços relativos soja/milho, pois os preços da soja caíram mais do que os do milho em 2015.

“Estrela do Sul” – mudanças importantes poderão ocorrer na Argentina. Além de liberar o câmbio, o governo Macri reduziu de 20% para zero o imposto cobrado na exportação de milho. Na soja, a redução foi de 35% para 30%, com a promessa de zerar o imposto em sete anos. Nessa perspectiva, o produtor argentino receberá mais pelo milho importado. Assim como nos EUA, os preços relativos da soja e do milho poderão fazer com que o cereal cresça em cima de áreas de soja.

“Estrela-Criança” – a força do El Niño atual superou todas as previsões iniciais e continua afetando a safra brasileira. Assim, o clima será um elemento crítico para definir o tamanho da oferta de soja em 2016. Devemos acompanhar este assunto com muita atenção.

O Brasil tem condições de tirar proveito do quadro descrito para o mercado de soja em 2016. Primeiro, devemos ficar atentos à nossa oferta na safra 2015/2016 e às decisões de plantio dos produtores norte-americanos. Segundo, acompanhar de perto a comercialização e os preços da soja e do milho em 2016 na Argentina. Se avaliar corretamente o cenário, o Brasil poderá ser a estrela do ano. Mas o produtor deve estar muito atento aos “7 mandamentos da agricultura em 2016”.
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