Brasil

Empresários de Mato Grosso do Sul já utilizam a moeda virtual bitcoin

Bitcoin é nova forma de receber pagamentos de serviços e produtos. Seu uso, entretanto, ainda não é regulamentado no país.
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Quando você faz uma compra o vendedor sempre pergunta: É dinheiro ou cartão? Pois não estranhe se ele incluir entre as opções o bitcoin, que é uma moeda igual ao real, mas é virtual. Outra diferença é que essa moeda não é ligada a um banco central de nenhum país e ela já está sendo usada em Campo Grande.

O empresário José Maia precisava de uma peça nova para o computador. Encontrou na internet e comprou, mas não imprimiu o boleto porque o sistema gerou um código. O pagamento foi feito com o celular e ele não usou o real, pagou com bitcoins, que para ele é mais que dinheiro é investimento.

“Eu utilizo o bitcoin para pagamento de faturas. Tenho dinheiro na carteira e bitcoins na minha carteira virtual. Automaticamente o que rende com a evolução do mercado é o bitcoin, o real não”, explica o empresário. Isso porque a moeda está valendo muito. Em um ano o bitcoin valorizou mais de 130%. Atualmente um bitcoin custa mais de US$ 600 ou R$ 1.800.

Maia é pai do Maxsander Maia, que é dono de um lava jato em Campo Grande. O estabelecimento aceita o bitcoin como forma de pagamento pelos serviços.

O analista de sistemas Alciney de Oliveira Garcia, por exemplo, trouxe o carro dele para lavar e na hora de pagar, ao invés da carteira pegou o celular, que leu o código do celular do Maxsander e pronto, serviço pago. Os valores fracionados do bitcoin, que equivalente a R$ 35 pela limpeza do carro, foram para a conta do dono do estabelecimento.

“Hoje se você usa o cartão de crédito, você sabe que paga a anuidade e inúmeras taxas. Enquanto que no bitcoin não. Você simplesmente paga uma taxa mínima de R$ 0,25, única e pronto”, diz o cliente.

Foi essa praticidade que fez o Maxsander apostar no sistema. “No débito eles cobram de 3% a 5%, dependendo, e demora de dois a três dias para receber na minha conta. No bitcoin é instantâneo praticamente”.

O bitcoin é uma moeda como o real e o dólar, só que é virtual. Ela não é emitida por nenhum banco central. É liderada de tempos em tempos por um software central, criado há oito anos. Por isso, que nesse sistema, o celular é a carteira de quem usa o bitcoin. Outro diferencial é que todas as transações no mundo podem ser acompanhadas por qualquer pessoa.

É por um banco de dados virtual, que está disponível em um site na internet, que as transações, com dados criptografados, são monitoradas em tempo real. Para uma compra ou transferência serem concluídas, o servidor tem que aprovar.

O empresário Jonhnes Carvalho, destaca a segurança do sistema. “Não existe bitcoin falsificado, não existe fraude em bitcoin, porque existe toda uma rede de validação das informações”, destaca.

Mas como? E onde comprar bitcoins? Primeiro é preciso fazer um cadastro em sites que oferecem o serviço. Depois, criar uma conta com código criptografado. Aí chega a hora de comprar a moeda.

O grande problema é que o bitcoin é volátil. A cotação varia o tempo todo e isso, para o mercado pode representar um risco.

Uma empresa em Campo Grande desenvolveu um aplicativo que pode diminuir esse risco. O software, que ainda está em fase de testes, é acionado assim que uma compra é efetuada. O sistema aciona virtualmente as casas de câmbio que já fazem a transação dos bitcoins, depositando na conta do empresário os valores em reais. “Vamos supor que você acabou de aceitar a transação, vai lá e liquida a operação. Demora mais ou menos uns 15 minutos e nesse período o bitcoin pode diminuir de valor, então, você teria prejuízo. Por isso, é muito importante fazer a liquidação de forma instantânea dos valores em bitcoins. Com essa conversão instantânea ninguém sai perdendo”, explica Carvalho.

Só que o bitcoin não é regulamentado pelo Ministério da Fazenda. Por isso, segundo o advogado tributarista Carlos Nascimento Júnior, não é possível afirmar se ele é ilegal ou não.

“É um ativo de risco. Quem está interessado tem que verificar realmente do que se trata e como vai lidar com esse tipo de moeda, porque é um risco muito alto, já que não se tem lastro, não tem aí uma seguradora que te garanta, que faça o ressarcimento em uma eventual transação mal feita, porque ela é desregulamentada”, explica.

A empresária Maria Cecília Sebben, também de Campo Grande, é outra que aposta na nova moda virtual. Ela trabalha com joias em prata e outro e também aceita o bitcoin como forma de pagamento. A comerciante acredita que a valorização da moeda pode render ainda mais lucro para o estabelecimento.

“Além de ser uma forma segura de pagamento, como o cartão de crédito, por exemplo, ainda é uma maneira de investimento, porque valoriza todos os dias”, conclui.(G1)

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