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Duas novas chuvas de meteoros, e são do Brasil!

Duas novas chuvas de meteoros, e são do Brasil!
Você já deve ter visto uma ou outra estrela cadente no céu, não? Não é muito fácil, principalmente porque requer um céu particularmente escuro. Uma estrela cadente é na verdade uma minúscula partícula rochosa, ou composta por ferro que entra muito rápido na atmosfera da Terra e se queima com a fricção. As partículas são os meteoros. Numa noite escura é possível ver um ou outro riscando rapidamente o céu, depois que um meteoro desavisado é capturado pela gravidade da Terra. Só que por vezes essa atividade aumenta muito durante um período de tempo, tipo uma semana, atingindo um pico num dia específico. Essas são as famosas chuvas (ou chuveiros) de meteoros. Isso ocorre quando a Terra intercepta a órbita de um cometa, que no seu caminho pelo Sistema Solar vai deixando pedacinhos minúsculos de rocha e gelo. Nos dias de máximos é possível avistar dezenas de meteoros por hora!

Você que acompanha o blog sabe que de vez em quando eu aviso aqui quando chega perto do máximo de uma chuva de meteoros interessante, tipo uma que tem uma boa taxa de meteoros ou uma que esteja associada a um cometa bacana, tipo o Halley. A identificação desses eventos tem um forte viés para as chuvas favoráveis de serem observadas no hemisfério norte. Comparativamente são poucas as chuvas propícias ao nosso hemisfério.

Mas nessa quarta feira (21) esse desbalanceamento diminuiu um pouco com a inclusão de duas chuvas que podem ser vistas bem ao sul do planeta. E o melhor, elas foram descobertas por uma rede de astrônomos amadores brasileiros!

A história é assim: uma equipe de entusiastas começou a espalhar estações de monitoramento do céu através de câmeras para constituir a rede BRAMON, que é a sigla em inglês para rede brasileira de observação de meteoros. As câmeras ficam apontadas para uma direção do céu, filmando-o durante a noite. A ideia é monitorar o céu em diversas partes do país registrando a trilha de meteoros que se queimam na atmosfera. Atualmente a rede conta com 82 estações espalhadas por 19 estados brasileiros e já tem o registro de mais de 82 mil meteoros!

O interessante dessa rede, que já está entre as maiores do mundo, é que um mesmo meteoro pode ser registrado por duas (ou mais) estações diferentes. Isso permite traçar a trajetória no céu com boa precisão. Desse jeito dá para ver se os meteoros capturados são do tipo errante espacial solitário, ou se pertencem a uma mesma família. Se for o segundo caso, eles vão parecer surgir de uma região específica do céu, chamada de radiante, e com as imagens é possível encontrar esse radiante.

E foi exatamente isso que Carlos Di Pietro de São Paulo (SP), Marcelo Zurita de João Pessoa (PB) e Lauriston Trindade de Maranguape (CE) fizeram, se atracando na base de dados da rede. O procedimento não é nada fácil, pelo contrário, exige uma matemática pesada. Não só é preciso identificar o radiante da chuva, mas também é preciso calcular a órbita dos meteoros no Sistema Solar para provar que eles fazem parte da mesma família.

Em três anos de operação, foi possível calcular 4205 órbitas, mas a imensa maioria é de chuvas já conhecidas. Mas desse tanto de órbitas, um grupo de meteoros se destacou por parecer sair de uma mesma posição do céu. Posição essa na que não estava catalogada, localizada na constelação da Grou. A equipe da BRAMON decidiu investigar isso mais a fundo, executando centenas de cálculos para confirmar a desconfiança e o esforço valeu a pena duplamente: não só encontraram um radiante desconhecido na Grou, como de quebra identificaram outro na constelação do Cinzel.

Sim, existe uma constelação chamada Cinzel. Cinzel é uma ferramenta de entalhe. Grou, que também não é das mais famosas, é uma ave.

No início de março a BRAMON enviou suas descobertas ao Centro de Dados de Meteoros da União Astronômica Internacional, a entidade máxima da astronomia. Nessa quarta feira as duas chuvas foram aceitas e passaram a integrar a lista com mais de setecentas chuvas catalogadas. As chuvas brasileiras se chamam Epsilon Gruids (da Grou) e August Caelids (do Cinzel). Nota: o meu latim enferrujado me diz que se pronuncia “celids”, mas como a ferrugem é muita, posso estar errado.

Elas já fazem parte da lista oficial, mas ainda carecem de maiores informações, como sua taxa horária, ou seja, a média de meteoros observados por hora. Outra informação ainda não obtida das chuvas é a origem delas. Agora começa um estudo muito interessante de tentar descobrir o cometa que dá origem a cada uma delas. Isso não é tarefa simples, pode ser que o cometa nem exista mais, mas seus destroços ainda continuam vagando pelo espaço.

Os Celídeos de agosto

O dia do máximo é, de acordo com a BRAMON, 5 de agosto. Lá pelas 3 da manhã, a constelação do Cinzel está mais alta no céu, o que facilita. Veja o mapinha abaixo:

Meteoros cinzel

Épsilon Gruídeos

O melhor dia é na madrugada do dia 11 para 12 de junho. Formalhaut, uma estrela bem brilhante e azulada ajuda na localização.

Meteoros grou

Você pode já deixar anotado no seu calendário astronômico para tentar ver os meteoros dos dois chuveiros brasileiros. E se quiser ajudar anotando a quantidade de meteoros observados, a astronomia agradece, pois o levantamento da taxa horária vai ser feita com observações por anos a fio. Aliás, se você quiser integrar a rede BRAMON, visite o site deles. Da última vez que eu fui lá havia uma lista de equipamentos para quem quiser montar sua própria estação de monitoramento.

Fonte: G 1

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