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Dilma Rousseff está com os dias contados no poder?

São Paulo – “Não tenho cara de quem irá renunciar”. Foi dessa forma, enfática, que a presidente Dilma Rousseff rebateu hoje os questionamentos de jornalistas sobre uma possível renúncia ou resignação diante de um possível fim forçado de seu mandato. No entanto, para especialistas ouvidos por EXAME.com, a possibilidade de um impeachment da presidente torna-se, a cada dia, mais real.


Previsão da consultoria Eurasia para a revista EXAME desta quinzena revela que o risco da saída forçada de Dilma antes do fim do seu mandato é de 55%.

Nas últimas semanas, uma série de fatores contribuiu para essa previsão. Primeiro a Polícia Federal (PF) decretou a prisão de João Santana (o marqueteiro responsável pelas três últimas campanhas presidenciais do PT). Depois, foi a vez de vazar o suposto conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) em que ele acusa Dilma de se intrometer na Lava Jato.
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Mas foi nos últimos sete dias que o cenário ganhou tons ainda mais nefastos quando as investigações do esquema de corrupção da Petrobras e do Ministério Público de São Paulo atingiram o pilar do PT: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi obrigado a depor na Lava Jato e se tornou alvo de um (controverso) pedido de prisão preventiva pelo MP paulista.

A combinação de escândalos elevou o ânimo de quem é favorável ao impeachment de Dilma – cujo processo foi aberto em 2 dezembro do ano passado e paralisado dias depois. Até semana que vem, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve dar a última palavra sobre o rito de impedimento do mandato da presidente.
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As reais chances do impeachment

Para alguns especialistas e políticos, a partir daí será apenas uma questão de tempo até que Dilma deixe o posto. Entre analistas consultados por EXAME.com, há quem aposte na saída da presidente mesmo antes do início dos Jogos Olímpicos, em agosto.
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“O risco de impeachment é real. O governo perdeu a sua credibilidade e o processo tem 60% de chance de avançar. Dependendo das negociações, a presidente Dilma pode cair antes do primeiro semestre”, afirma Antônio Flávio Testa, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

Para Carlos Pereira, professor e cientista político da FGV/EBAPE, as últimas descobertas no âmbito da Lava Jato mudaram as regras do jogo. “O governo não tem mais condição de governar e a sociedade sabe disso. A probabilidade do impeachment aumentou exponencialmente”, afirma.

Na avaliação de Testa, em um cenário de impeachment, é possível que o próprio Partido dos Trabalhadores (PT) atribua a culpa da crise ao governo Dilma e tente se refundar para ganhar espaço nas próximas eleições. Mas isso pode não ser suficiente.

“Eles podem mudar a sua sigla e até a sua logomarca, mas dificilmente algum candidato do PT vai chegar à presidência da República nos próximos anos”, diz.

Segundo Pereira, caso a votação do processo de impeachment seja aberta, o custo daqueles que assumirem publicamente a sua preferência contra o impeachment será muito alto.

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“Em pleno ano de eleição [municipal], como os deputados vão se posicionar contra a vontade da população que quer o impedimento da presidente? ”, questiona o cientista político da FGV. “Os parlamentares estão calculando o risco de retaliação, pois um político que decide cortar a cabeça do rei sem ter a certeza do ato, pode ter a sua própria cortada”.

Ainda assim, o professor avalia que algumas das evidências que rodeiam o Palácio do Planalto podem diminuir a sobrevida do governo, sendo assim, sinalizar apoio ao impeachment é o caminho que pode oferecer o menor risco.

“A falta de apoio da base aliada vai isolar o governo. Acredito que o processo vai ser mais rápido do que imaginamos e a possibilidade do impeachment seja formalizada antes das Olimpíadas”, afirma.

Em paralelo, tramita um processo jurídico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar a chapa de Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer. A suspeita é de que a presidente tenha cometido fraudes na campanha eleitoral de 2014.

Até recentemente, a queda do governo via TSE parecia ser a opção mais rápida e plausível. No entanto, na análise da Prospectiva, os últimos fatos (em especial a possível delação do senador Delcídio do Amaral) colocam o impeachment como a saída mais provável.

“A eventual saída da base aliada, sobretudo do PMDB, poderá estimular uma atitude semelhante dos parlamentares das demais legendas”, diz Thiago Vidal, coordenador do Núcleo de Análise Política da Prospectiva.

Debandada?

Nesta terça-feira (9), lideranças do PSDB e do PMDB no Senado se reuniram em Brasília para selar uma reaproximação em busca de uma saída para a atual crise política e econômica do país.

Na visão da Prospectiva, o encontro pode gerar uma possível aliança entre as legendas que abrangeria, principalmente, a pauta do impeachment.

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“Posteriores acordos sobre distribuição de cargos no caso de impeachment, por exemplo, ainda passariam por longos processos de negociação”, afirma o coordenador do Núcleo de Análise Política da consultoria.

Já para Carlos Pereira, da FGV, o encontro aponta para uma direção óbvia: “o PMDB está desembarcando do governo”, afirma.

“O PMDB do Senado é peça chave no desfecho do impeachment”, diz Antônio Flávio Testa, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). “Eles só estão avaliando o melhor momento para abandonar o barco”.

Neste sábado, integrantes da sigla se reúnem na Convenção Nacional do PMDB para traçar rotas possíveis para o atual cenário político – entre eles, um desembarque do governo. Por ora, a expectativa é de que o rompimento formal da sigla com a gestão Dilma não ocorra – mas é certo que não haverá consenso entre os que apoiam e os que rechaçam o mandato atual.

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