Brasil

DILMA E CUNHA: ‘Uma lengalenga sem fim’

(*) Waldir Guerra

A preocupação é geral e está na cara das pessoas que dizem já não suportar mais essa lengalenga sem fim entre a presidente Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. É só isso que vê. Mas não te engane, o problema maior não são eles, é o caos na administração do governo federal.

Assim, essa encrenca interessa mais à presidente da República que ao presidente da Câmara dos Deputados porque desvia o foco da imprensa sobre ela. Veja bem, até aqui a única culpada dessa aventura louca de “fazer o diabo” para o PT permanecer no poder era a presidente Dilma; mas ela reagiu forte.

Na semana passada, lá da Europa, Dilma reagiu dizendo: “o meu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção, não é meu governo que está sendo acusado atualmente…”. O Instituto Lula e os petistas, de um modo geral, sentiram a estocada – ops! A onça está ferida, cuidado com ela.

Quanto ao deputado Eduardo Cunha, apesar de todas as provas contra ele, ainda há um grupo de deputados que o apóiam na presidência da Casa; e eles têm certa razão. Explico: até o surgimento de Eduardo Cunha a Câmara dos Deputados estava a serviço da Presidência. Deputados e senadores faziam papel de bobos perante o Executivo. O governo fazia as leis e as executava, através de Medidas Provisórias – batia escanteio e corria pra cabecear a gol.

Eduardo Cunha, ao se eleger presidente da Câmara, arrancou das mãos de Dilma o protagonismo político. A maioria dos deputados ficou com ele e muitos ainda lhe são fiéis por isso; até porque Cunha reequilibrou a força dos três Poderes. Isso fez com que recebesse um contra-ataque do Executivo para enfraquecê-lo.

O Supremo Tribunal Federal também contribuiu para enfraquecê-lo restringindo seus poderes de presidente da Câmara para encaminhar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A partir daí os deputados ficaram com medo de o Legislativo perder o protagonismo do jogo político muito bem conquistado por Eduardo Cunha.

Confesso que gostei das atitudes de Eduardo Cunha como presidente da Câmara; gostei quando impôs a obrigatoriedade no pagamento das emendas parlamentares, mas agora penso que não poderá mais continuar no cargo de presidente – e se comprovadas as denúncias contra ele, deveria renunciar também ao mandato.

Mas raciocine comigo caro leitor: Nem Dilma, nem os partidos que a apóiam e muito menos o PT, querem reduzir os gastos do governo. Eles querem a CPMF a fim de arrecadar esse déficit fiscal que estaria em torno de 60 ou 70 bilhões de reais.

Os gastos do governo são da ordem de 1,2 trilhão de reais. Por que o governo não corta 10% nesses gastos que seriam uns 120 bilhões e larga mão de querer mais impostos? A CPMF lhe daria, se muito, com essa crise, uns 60 bilhões.

Para a presidente Dilma e seu partido será mais fácil hoje aprovar leis que lhe permitam cortar gastos obrigatórios do que criar nova CPMF.

Essa experiência de cortar 10% nos gastos para equilibrar contas todos nós fazemos sempre que é necessário, por que o governo não quer fazer?

No Estadão de sábado (Fernão Lara Mesquita) diz que Lula acrescentou 18,3 mil funcionários à folha da União. Dilma mais 16,3 mil até aqui. Agora são 618 mil funcionários do Executivo e desses 103.313 têm “cargos de chefia”.

Por isso caro leitor não te estresse porque essa lengalenga entre Dilma e Cunha está apenas escondendo um problema maior que o governo precisa enfrentar.

(*) Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)



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