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Devolvida ao pai após denunciar abusos, menina usa vídeo do estupro como prova

Devolvida ao pai após denunciar abusos, menina usa vídeo do estupro como prova

Garota de 14 anos viveu um ano e meio sozinha em casa com estuprador

Thatiana Melo/Foto: Ilustrativa

Uma garota de 14 anos de idade escapou da casa onde viveu durante um ano e meio sozinha com o pai, sendo estuprada por ele. A menina procurou as autoridades e relatou que os estupros se tornaram rotineiros depois de ele, supostamente, conseguir na Justiça a guarda dela e uma medida de restrição que a proíbe de manter contato com a mãe.

Tudo começou em 2015, quando mãe e filha denunciaram o homem por maus tratos.

A garota teria sido acolhida em um abrigo, mas continuou recebendo visitas do pai. Ao ouvir que teria de voltar a viver com ele, teria fugido, mas acabou ‘resgatada’. Como resultado da tentativa de escapar, a Justiça ainda teria imposto uma medida restritiva contra a mãe dela, que a teria ajudado na fuga.

Apesar do boletim de ocorrência por estupro que havia registrado contra ele, a menina teria sido obrigada a voltar para casa do denunciado, em um bairro de Campo Grande. Lá, passou a viver momentos de terror quando o pai cometia abusos sexuais rotineiros enquanto ela não sabia a quem recorrer.

“É terrivel. Ela foi forte para não enlouquecer, porque ele tratava ela como esposa”, relata uma colega que a ajudou a escapar e procurar as autoridades novamente. “Como já tinha denunciado uma vez e não deu em nada. Ainda proibiram ela de falar com a mãe, e devolveram pra ele, ela passou a ficar confusa. Não sabe até agora ao certo o que fazer”, explica a amiga.

Desta vez, para ter uma ‘prova’, ela esperou o pai filmar um dos estupros para apresentar. Foram meses de abusos sexuais e sessões de espancamento sempre que tentava fugir ou resistia aos ataques. Até que, em pleno aniversário dela, o homem a teria dominado e prendido na cama com um travesseiro, enquanto filmava o ato sexual.

Na sequência, ela aguardou até que o pai estivesse alcoolizado e conseguiu fazer uma cópia do vídeo em um cartão de memória para fugir com o que considerou ser a garantia de que, desta vez, consegue apoio das autoridades para ser afastada do estuprador com quem diz ter sido obrigada a morar por decisão judicial.

“Ela está escondida e não confia em informar nem para a polícia onde está, porque da outra vez já deu tudo errado e acabaram com a vida dela de vez”, relata a colega quase da mesma idade que ajudou a garota. “Estamos torcendo para desta vez, com o vídeo, a justiça acreditar”, diz.

Sem saber a quem recorrer, a menina resolveu procurar a Casa da Mulher Brasileira, onde apresentou o cartão de memória com a suposta filmagem do estupro.

Segundo a colega da menina, ela não aceitou ser encaminhada novamente para um abrigo e deixou rapidamente a delegacia com medo de ser novamente ‘devolvida’ ao estuprador. A reportagem apurou que existe mesmo uma ocorrência policial contra o pai registrada na data relatada por ela. Na ocasião, o caso foi tratado como denúncia de ‘maus tratos’.

Há ainda mais dois boletins de ocorrência contra o homem, um por estupro de vulnerável, e outro por ameaça. Todos anteriores à data em que ela diz ter sido obrigada a voltar a morar sozinha com o estuprador e afirma que teve proibidos os contatos com a mãe, que é separada do pai.

Na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o registro do caso no último fim de semana foi confirmado pela delegada Fernanda Félix. No entanto, como envolve crimes contra menores de idade, o caso dos estupros e abusos ainda deve ser remetido para a delegacia especializada.

A reportagem tentou contato com o Conselho Tutelar da região onde o caso ocorreu, para verificar em que circustâncias a mãe teria recebido uma ordem restritiva e porque a garota teria sido ‘devolvida’ ao pai mesmo após denúncia de crimes sexuais, mas as ligações, feitas durante o horário comercial e devidamente documetnadas, não foram atendidas. Na Justiça, não há acesso ao caso porque, quando envolvem menor de idade, os processos são sigilosos.

Midiamax

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