Brasil

Crise política influencia o estado emocional das pessoas

(*) Hilda Medeiros

Os acontecimentos geram conflitos profundos entre correntes de pensamentos, dividindo opiniões.

Estamos vivendo um momento histórico no Brasil, onde se percebe um conflito profundo entre correntes de pensamento e uma atmosfera em que parece que as pessoas são obrigadas a tomar um partido. Por conta desse sentimento, tenho visto amizades de longa data ruir-se e famílias se desestruturando.

Há uma premissa de Milton Erickson, considerado um dos pais da psicoterapia moderna baseada no inconsciente que diz: somos muito mais do que acreditamos. Desse pensamento surgiu o Coaching Generativo, que visa criar algo novo, além das soluções já conhecidas. Isso se dá tanto na vida pessoal, profissional, ou mesmo na mudança de direção de um país.

Criamos o mundo a partir de nossos modelos mentais. Nossos estados emocional e físico funcionam como filtros da realidade. Esses filtros determinam o modo que percebemos a realidade e nos mostramos para o mundo.

As respostas que damos aos estímulos que recebemos dos ambientes estão diretamente ligadas aos modelos mentais que conseguimos acessar a cada momento.

Quando nos encontramos em estado “Crash”, sob tensão, acessamos territórios emocionais que nos limitam, como ódios, rancores e medos. É possível afirmar que a raiva, o medo e a desconexão de nós mesmos são verdadeiros venenos para um sistema integrado. Nesse estado de tensão os filtros da percepção congelam e passamos a reproduzir experiências passadas, como máquinas desconectadas de nossa essência humana. Contraímo-nos e nos tornamos reativos, fechamos as portas que ampliam novas possibilidades e deixamos de perceber as alternativas.

No estado “Crash” nos fechamos em nossos próprios medos e o que chamamos de outro se torna espelho do sentimento que estamos vibrando. As outras pessoas se tornam extensão de nossas próprias inseguranças. Espelhamos nos outros nossas próprias frustrações. Com nossos filtros congelados, nos tornamos distantes de nós mesmos porque a energia deixa de fluir e consequentemente não encontramos respostas além da agressividade, para lidar com as diferenças.

É preciso lembrar que a vida é criada por opostos, tristeza e alegria, raiva e paz, medo e confiança, desconexão e centramento, e que o oposto do estado “Crash” é o estado “Coach”.

Pessoas consideradas gênios em suas profissões, como por exemplo, o jogador Neymar, atingem o máximo num corpo e mente em estado “Coach”. Nos momentos em que atuamos no ápice de nossas potencialidades estamos conectados com nosso melhor estado, abertos, centrados e criativos, com os filtros da percepção fluindo em nós mesmos e em nossa volta.

No estado denominado por Dilts e Gilligan de Coach Generativo atuamos com três tipos de filtros em perfeita harmonia: Cognitivo, somático e o campo. Cognitivo é a mente lógica, na qual estamos bastante familiarizados. Somático é a memória corporal, são os registros que arquivamos em nosso corpo e o Campo, seria uma inteligência maior, recursos que estão a nossa volta que quando estamos abertos e centrados somos capazes de perceber e interagir.

A grande diferença entre o estado “Crash” e o estado “Coach” é que no primeiro agimos por nossos instintos mais baixos, falta a humanidade, mesmo que não tenhamos consciência disso. Em contra partida no estado “Coach” somos capazes de centrar, de aquietar a nossa mente e respirar, permitindo que a energia transite pelo corpo. Em contato com nossa essência somos capazes de acolher os obstáculos e transformar em recursos.

A partir do centramento e conexão com algo maior (campo), o outro não é um inimigo, é apenas alguém que provavelmente em última instância quer algo parecido com aquilo que eu quero. O outro é meu vizinho, meu amigo, minha família, que quer honestidade, educação, cultura, justiça, saúde e bem estar.

O filósofo Sócrates nos ensinou a arte de fazer perguntas: ao invés de tomar partido apaixonadamente, envolvido apenas por emoções, em sua sabedoria, se dissociava do problema e refutava seu interlocutor os prós e contras da questão proposta. O objetivo era encontrar a verdade na sua mais autentica forma.

Se ficarmos centrados, com atenção plena, conectados com os arquétipos da ternura, da generosidade e do bom humor saberemos fazer as perguntas necessárias sobre o que queremos como futuro de nação. As respostas serão cristalinas em direção a um bem maior.

Precisamos de líderes generativos que sejam capazes de acolher as diferenças. Líderes éticos e comprometidos com o campo da criatividade, capazes de propor caminhos para um crescimento econômico e humano. Mas acima de tudo, precisamos nos tornar líderes de nós mesmos, presentes, conscientes e conectados ao campo de todas as nossas potencialidades.

(*) Atua há quinze anos em consultório particular (http://www.taoconsultoria.com.br/index.php) como Coach e Psicoterapeuta de profissionais liberais, empresários e executivos de empresas de diferentes portes.

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