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Carga recorde de maconha descoberta em Santos foi adquirida por consórcio

Segundo a polícia, bando se uniu para comprar grande lote da droga diretamente do produtor para pagar preço menor
Traficantes da região celebraram um consórcio para comprar a carga de 1.324 quilos de maconha encontrada no sábado (12), em um galpão de caminhões localizado no São Manoel, em Santos, onde cinco homens foram presos em flagrante. É a maior apreensão da droga nos últimos cinco anos na Baixada Santista e uma das maiores da história. As investigações prosseguem para identificar os donos do entorpecente.

Procedente do Paraguai, a maconha estava dividida em 1.389 tijolos e embalada em pacotes de tamanhos e aparências variados, todos identificados por nomes, letras e apelidos. “As embalagens teriam destinatários específicos na região. Os traficantes se uniram para comprar um grande lote da droga diretamente do produtor para pagar um preço menor”, revela o chefe dos investigadores do 5º DP de Santos, Edmir Alves.

De acordo com a polícia, droga estava embalada em pacotes de tamanhos variados
Policiais desse distrito, em cuja área fica o galpão, localizado na Rua Coronel Feliciano Narciso Bicudo, em frente à Escola Municipal de Educação Flávio Cipriano Barbosa, se uniram aos colegas da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) para realizar a apreensão da maconha. Em 5 de julho de 2010, a Dise encontrou 1.541 quilos da erva em um galpão na Rua Uruguai, próximo ao Mercado Municipal de Santos.

Os presos

Com uma atuação que não deu margem a eventuais fuga ou resistência e sem que fosse preciso efetuar um único disparo, sequer de advertência, os investigadores prenderam no galpão do São Manoel os seguintes acusados: Benedito Carlos Lima da Silva, de 43 anos, Vinicius Henrique Alves Lopes, de 24, Rodrigo Adriano de Macedo Silva, de 33, Pablo Henrique de Oliveira Santos, de 22, e Keliton Lopes de Abreu, de 23.

Autuado por tráfico e associação para o tráfico pelo delegado Fábio Szabo Guerra, na Dise, o grupo invocou o direito constitucional de apenas se manifestar diante de um juiz. Keliton mora em Ponta Porã (MS), enquanto Vinicius e Rodrigo residem em São Paulo. Os endereços de Pablo e Benedito ficam, respectivamente, em Santos e São Vicente. Com passagem por homicídio, Rodrigo é o único que possui antecedente.

Os acusados não portavam armas e nem a chave do caminhão no qual a maconha foi trazida para Santos. O dono do veículo agora está na mira das futuras investigações. A droga foi transportada escondida no meio de um carregamento de soja a granel. Porém, no momento da prisão, por volta das 16 horas, o entorpecente já havia sido descarregado pelos acusados e se encontrava empilhado no chão, ao lado da carreta.

Um galpão na Zona Noroeste de Santos foi usado como ponto de distribuição para descarregar a carga
Trabalho braçal

Embora a prisão tenha ocorrido durante a tarde, os policiais permaneceram no galpão até a noite. “Era necessário conferir toda a soja que estava na carreta para verificar se no meio dela ainda não havia mais maconha”, justifica Paulo Álvaro Ribeiro, chefe dos investigadores da Dise. Para esse trabalho, os agentes utilizaram pás que os próprios acusados usaram para retirar o entorpecente do veículo.

Concluída a conferência, um plano logístico foi executado para levar a carga de maconha superior a 1,3 tonelada ao cofre de drogas da Delegacia Seccional de Santos, onde elas ficam depositadas à disposição da Justiça até ser autorizada a sua incineração. Em seguida, se iniciaram os procedimentos legais do flagrante, encerrados pelo delegado Guerra e escrivão Maurício Alves na madrugada de domingo (13)

Entreposto

O local onde foi realizada a apreensão recorde de maconha nos últimos cinco anos na região iria funcionar como uma espécie de entreposto de distribuição, porque as marcas nas embalagens indicavam diversos compradores do produto paraguaio. A Polícia Civil quer saber se o lugar já havia sido usado com a mesma finalidade em outras ocasiões e apura se o responsável pelo imóvel tinha ciência disso.

“Quando vimos toda aquela quantidade de maconha pensamos que havíamos chegado ao Ceagesp das drogas”, ironiza Ribeiro. O investigador se referiu à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo. Empresa vinculada ao Ministério da Agricultura e Abastecimento, ela se situa na Zona Oeste da Capital e é responsável pela distribuição de boa parte dos alimentos consumidos no Estado

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