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Brasileiros apostam no milho; área de soja deve crescer menos

O apetite insaciável do Brasil pelo cultivo de soja dá indícios de arrefecimento, resultado da conversão de algumas áreas para o milho na próxima safra de verão 2016/2017. Previsões de consultorias especializadas apontam crescimento para as duas principais culturas brasileiras, mas a expansão da oleaginosa será modesta, enquanto o milho deve aumentar significativamente.

A AGR Brasil, uma consultoria baseada em Chicago (EUA), prevê um crescimento da superfície de soja na casa dos 2%, o que seria o menor número em 10 anos, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já para o milho, a área brasileira cresceria em mais de um milhão de hectares na safra de verão.

A grande questão é: por que isso aconteceria em um momento em que se prevê uma baixa dos preços de milho? A ideia de que uma boa safra pode ser repetida é sempre a questão chave para as decisões dos produtores brasileiros, e a temporada 2015/2016 trouxe excelentes resultados para a cultura do milho, com forte demanda interna e externa, apesar das previsões negativas para preços futuros.

“A previsão da AGR é equilibrada. Pode-de dizer que na cabeça dos produtores está sempre a safra anterior. Haverá uma expansão da soja e o milho ainda é atraente”, opinou o analista Frederico Schmidt, da Priore Investimentos, em reportagem do Portal Agriculture.com. Para ele, é improvável que o milho substitua muitas áreas de soja. No entanto, se o preço permanecer atrativo até o fim da colheita de verão, pode também haver um forte safra de inverno no Centro-Oeste, em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.

Uma estimativa da consultoria de Curitiba AgRural diz que a superfície de soja cresceria apenas 1%. Enquanto isso, o milho tomaria conta de áreas antes ocupadas por pastagem, feijão e, muito limitadamente, de soja nos três estados do sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Uma visão semelhante tem a AGR Brasil, que prevê que o milho se expandiria muito no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde o grão pode ser plantado apenas no verão e há uma grande predominância da soja.

O RS é o terceiro maior produtor de soja do Brasil, mas não tem sido autossuficiente na produção do milho, que possui grande demanda da suinocultura e avicultura. Para a próxima safra, muitos produtores já admitem mudar de ideia e migrar para o milho, apesar das dificuldades climáticas.

Há indícios de que essa temporada seria muito arriscada em função da previsão de ocorrência do fenômeno La Niña. “Há muitos riscos relacionados ao La Niña. Há uma tendência de chuvas abaixo da média histórica e a produtividade de ser reduzida”, afirma o diretor técnico da Emater/RS Lino Moura.

Fonte: Agrolink

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