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Ano mal iniciado, mas já perdido, para muitos

Victor Teixeira
(*) Victor Teixeira

As felicitações de Ano Novo mais uma vez consecutiva têm trabalho para se efetivar igualmente entre nós. Com o agravante de feriado prolongado por consequência da “ponte” sobre o fim de semana, a inabilidade de muitos seres para convívio social carregou para não mais restituir muitas vidas, independentemente de terem ou não merecido as vítimas e suas famílias esse castigo.

A começar pela cidade de onde lhes tecla este autor. No últimos dia do ano se repetiram desgastadas cenas de Itaporã sendo Itaporã em momentos festivos, a realidade das festas onde se destacam as façanhas de um pequeno povo que escolhe botar a perder as cada vez mais fáceis oportunidades para andar em linha reta e com suas atitudes toma o lugar da maioria honesta, real merecedora de presença nos eventos, deles expulsa pelas barbaridades. Em agosto o solo da Praça São José (“Calçadão”) voltou a ser manchado a sangue com dois casos de esfaqueamento numa mesma noite cultural, revivendo os “velhos tempos” dos duelos de facas acompanhados de uma morte a bala em 2011, tudo isso no curso de uma antiga confraternização repetida aos domingos com nome de “Paquera”, findada por esse motivo. Foi fugaz o momento em que os malandros podiam matar a nostalgia em relação a tal época, visto que nas semanas posteriores as atividades passaram a contar com vigilância policial. Tão bravamente teria insistido o “espírito guerreiro” na busca por retorno à exposição midiática que há suspeitas de ter na noite do dia 31 conseguido. Isso porque uma das hipóteses para o tiro que matou um homem dentro de seu carro no bairro São Francisco (“Lagoa”) ter recebido impulso de ânimos à flor da pele em virtude de suposta briga na festa de réveillon que se passava num parque municipal (ainda que o papel da prefeitura aparente apenas contribuição em autorizar o uso do espaço) a quilômetros distante.

A isso antecedeu-se o uso de uma área perto do distrito a nós anexado de Piraporã para o fim da queima de um pavio curto aceso no município limítrofe de Douradina. Nào tinha outra opção para dois homens e os filhos de um deles virarem o ano? Desde quando o mundo começou a ser mundo a violência sempre gerou mais violência por manter o sustento às ideias mais fora de hora (graças ao nascer e progresso da razão) de que o tão inteligente homem pode obter proveito para estancar rixas. Traçou esse caminho o douradinense que pôs fim a uma rivalidade fazendo-o com a vida do adversário e teve mesmo destino nas mãos de um furioso grupo que incluía filhos da vítima que o “mataram a pau” literalmente, sujeitando-se a ter sobre eles rodando esse ciclo.

A ressaca das grandes festas tem noutros estados exemplos de quem se excedeu a níveis graves celebrando “como se amanhã o mundo fosse acabar”, no modelo do que prega uma canção da banda de axé Jammil tocada pelo carro de som que convidava a nós itaporanenses para o lúdico encontro de transição anual. O quanto as autoridades educacionais e judiciárias de Santa Bárbara d’Oeste (SP) se atentaram para a proteção e atendimento às necessidades dos jovens, talvez seguindo a média nacional, doera em seus bolsos e nos dos contribuintes após as vidraças do Fórum ficarem com as marcas do impacto de objetos atirados por espíritos de porco semelhantes aos daqui que ainda preferiram o chão da praça próxima onde se comemorava a marcante passagem temporal ao invés das lixeiras para jogar os despojos de sua irresponsabilidade e dos recipientes que deveriam abrigar a sujeira fizeram outro alvo da “zoação”. O que mais desejava o criminoso que roubou o carro de um casal de 19 anos depois de matar os jovens a facadas nas primeiras horas do dia 1° em Americana, no mesmo estado, se apenas o veículo tinha valor econômico? Quem nos dera ver essa desumana criatura chegar em ponto igual a um assassino gaúcho que acabou na cadeia também no primeiro dia do ano após matar em Tramandaí um policial que o prendera há meses por roubo na sequência de tê-lo reconhecido. Achado o fatal agressor dos jovens americanenses, a justiça, mesmo não sabendo do caso no Rio Grande do Sul por não ter repercutido nacionalmente, mas informada de muitas histórias com DNA parecido, assumirá a responsabilidade pela íntegra guarda do infrator em paralelo à baixeza do ato para minar o potencial ofensivo, em oposição à segunda chance que o assassino do PM teve ainda que em flagrante fora pego se apropriando de coisa alheia e, como se vê, aproveitou, só então sendo agilmente descoberto em casa no município de Alvorada, Região Metropolitana de Porto Alegre, quer dizer, já muito longe da praia.

Imaginável medida para se manter a salvo da bandalha coletiva sem atravessar a faixa fronteiriça entre os anos entediado é festejar nos próprios lares. Neles, no entanto, podem acabar se alojando um importante elemento gerador das confusões nos encontros de rua, o abuso de álcool, situação que traz vexames e tragédias em volume maior que suposto revigoramento na atmosfera humana do ambiente, que dispõe de ricas alternativas. As altas horas da primeira madrugada de 2015 em que ocorreu a briga generalizada causadora de uma morte a golpes de faca e ferimentos a esopeto de churrasco em outro envolvido em Corumbá, capital do pantanal sul-matogrossense, após dois homens que saíam para comprar cerveja se desentenderem por quase nada com um grupo no caminho são suspeitas de terem progredido conforme o imaginável patamar etílico que os participantes adquiriram e pretendiam incrementar, aumentando ainda mais o potencial explosivo emocional. Não houve informações sobre bebedeira numa casa em Cascavel (PR), dispensável para o casal nela residente que reproduziu seu ritual de brigas nas últimas horas de 2015, desta vez na antiga moda itaporanense – duelo de armas brancas cortantes – e culminando no passamento do homem.

O tempo passa, mas não poderia seguir depositando a coragem para a subversão dos bons valores ao alcance de quem a absorve e levando a aptidão humana para em momentos de felicidade garantí-la tolerando as adversidades e de lado pondo as queixas cotidianas. Deter o processo não é uma ideia fantasiosa, porém as forças para tal estão em déficit. Já podemos antever novo reforço na desordem com o Carnaval, evento mais propício a isso no Brasil, prestes a nos bater à porta.

(*) Visão crítica das notícias daqui de Mato Grosso do Sul, os fatos políticos e econômicos nacionais e mundiais e dentro dos dois últimos casos destacando fatos que descubro em meios de comunicação de outros estados e países devido à minha curiosidade em saber o que acontece em lugares que pouco conhecemos. http://victorteixeiraaborda.blogspot.com.br/

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