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Operação tentou ‘minar’ poder do PCC, após ‘salve’ para aterrorizar MS

Por: Folha de Dourados
Desenho apreendido pelo Gaeco nesta terça-feira (18), com frase ditando morte de policiais militares. (Foto: André Bittar)
Comunicado mandava membros da facção praticarem atentados contra servidores da segurança pública, além de mais ações de tráfico de drogas e roubos, para ‘abastecer’ a facção

Do Campo Grande News

Um ‘salve–geral’/comunicado emitido pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no meio do ano passado foi o que deu início a investigação que resultou na operação ‘Desdita’, desencadeada nesta terça-feira pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em Mato Grosso do Sul. Segundo investigações, a ordem vinda da cúpula da organização criminosa era para que integrantes praticassem atentados contra agentes da segurança pública do Estado, e que intensificassem ações de tráfico de drogas e roubos, para ‘abastecer’ a facção.

De acordo com a coordenadora do Gaeco, promotora Cristiane Mourão, assim que receberam estas informações, investigadores iniciaram uma verdadeira caçada a lideranças da facção no Estado. Coma investida, nove pessoas foram presas, entre elas, Antonio Marcos dos Anjos Silva, o ‘Daleste’, Diego Freitas Leite, conhecido como ‘Lendário’, Francivaldo Rodrigues Lima, apelidado como ‘Pantaneiro’, Nilton Cesar Antunes Veron, o ‘Cezinha’, Rui Ederson da Silva Fernandes, ‘Veloster’, Rogério dos Santos Costa, ‘Armagedon’ e Sandro Serafim Natal, o Barba.

Esses líderes tinham variadas funções dentro da facção, como a de ‘resumo disciplinar’ – aqueles que fazem o ‘julgamento’ dos membros (punições que podem variar de tortura, pagamentos até morte), ‘final ou geral de rua’ – que controlam os membros que não estão presos, ‘final do estado’ – líderes estaduais do grupo, ‘geral da sintonia do paiol disciplinar’ – responsáveis pela arrecadação de fundos para a facção, e ‘resumo financeiro’- controladores do dinheiro da organização criminosa.

Após a prisão do grupo, em dezembro, o Gaeco passou a investigar outras ramificações da facção em Mato Grosso do sul. Membros pertencentes às bases, ou chefes da organização que ficavam no interior do Estado. As investigações resultaram na operação de hoje e a prisão de 46 pessoas – sendo sete mulheres, apreensão de dois adolescentes, recolhimento de 10 armas, recuperação de quatro veículos, e os bloqueios de 42 contas bancárias e 94 terminais de telefonia. Também foram apreendidas quantidades não reveladas de drogas e dinheiro.

As ordens expedidas pelo juiz Mário José Esbalqueiro Júnior, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, foram cumpridas na Capital, em Dourados, Naviraí, Ponta Porã e Mossoró, município do Rio Grande do Norte. A ofensiva foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e contou com a parceria de cerca de 100 agentes PM (Polícia Militar), por meio da Dintel (Diretoria de Inteligência) e batalhões do Choque e Bope.

Azarado – Outra informação curiosa, explicada pelo Gaeco, é referente ao nome da operação, ‘Desdita’, que significa falta de sorte. Segundo Cristiane Mourão, por meio de interceptações, os investigadores descobriram que um dos membros da organização criminosa, identificado como Luiz Carlos dos Santos, se dizia muito azarado nos últimos meses, já que as operações da facção desenvolvidos por ele não estavam dando certo.

“O que ele (Luiz Carlos) não sabia é que estava sendo monitorado e que as informações coletadas eram repassadas para polícia, para que os agentes pudessem impedir as ações da facção”, disse a promotora.

Conforme o Gaeco, as investigações relacionadas a operação continuam. Os presos irão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e roubo, além de outros delitos

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