Brasil

Nem Paolla Oliveira, nem Kim Kardashian; a bunda do ano é de Kim Kataguiri

Paolla Oliveira
(*) Kiko Nogueira

Em 2014, foi Kim Kardashian quem quebrou a internet com uma foto de capa da revista Paper. Seu derrière foi um acontecimento mundial, gerando memes, vídeos, debates, assassinatos e catástrofes climáticas.

Em janeiro deste ano, Paolla Oliveira repetiu o feito com uma cena da minissérie “Felizes Para Sempre”. Paolla interpretava uma garota de programa que aparecia na varando de um apartamento no Rio de Janeiro.

Sua caminhada em direção ao horizonte, vestida apenas com um fio dental e um sapato de salto alto, entrou na antologia dos grandes momentos da TV brasileira, seja lá o que isso quer dizer.

A bunda de Paolla parecia imbatível, até que um valor mais alto se alevantou e a deixou comendo poeira. Kim Kataguiri, o “Japonês Ruinzinho” do Movimento Brasil Livre, mandou ao DCM uma foto de suas politizadas nádegas e colocou as de Paolla em seu devido lugar.

Um traseiro pode ser mais do que um traseiro, e o de Kataguiri carregava toda uma carga cultural, social e política, algo que transcendia a anatomia pura e simples. Um clássico instantâneo.

O momento era muito especial. Foi durante o auge da Marcha da Liberdade, uma caminhada entre São Paulo e Brasília empreendida em nome do impeachment.

Em maio, nosso colaborador Pedro Zambarda enviou-lhe algumas perguntas, tais como: como está a viagem de vocês? Quantas pessoas se juntaram à marcha? Nas redes sociais, parte do público de vocês tira sarro da marcha. É normal?

A resposta do MBL foi o selfie de Kataguiri, mais exatamente um belfie (o nome técnico do autorretrato da bunda). É uma coisa triste e flácida, o oposto do que exibiram Kardashian e Paolla — embora cheia da indignação cívica daquela milícia.

Diante da repercussão, Kataguiri deu uma explicação no Facebook segundo a qual a bunda não era dele, mas sim de um dos “coordenadores estaduais” (?!) do MBL que o acompanhavam na andança.

Foi tarde demais e não colou. A imagem ganhou as redes sociais e tornou-se o símbolo de seu grupelho. De tudo o que ele queria derrubar, KK (e não me refiro a Kim Kardashian) tirou apenas a bunda de Paolla Oliveira do posto de campeã de 2015.

(*) Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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