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Fiscais de obras de MS usavam “frango” como senha para propina

Fiscais de obras de MS usavam “frango” como senha para propina

Relatório da segunda fase da Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal (PF), chamada de Fazendas de Lama, que apura o desvio de recursos públicos em obras executadas em Mato Grosso do Sul, aponta que a palavra ‘frango’ era a senha para o pagamento de propina.

No relatório policial consta que alguns fiscais da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), órgão encarregado de gerir a execução de todas as obras do governo do estado, tiveram um crescimento patrimonial suspeito, muito acima das rendas como servidores.

Segundo a PF, ser fiscal na Agesul era sinônimo de prosperidade financeira. Nem, tanto pelo bom salário, entre R$ 11 mil e R$ 12 mil. Alguns profissionais da agência juntaram patrimônio entre 2011 e 2014, tempo do mandato de André Puccinelli (PMDB) no governo de Mato Grosso do Sul e de Edson Giroto no comando da secretaria estadual de Obras.

Na casa de Wilson Roberto Mariano, o Beto Mariano, a Polícia Federal encontrou muitos documentos. Um deles, o recibo de pagamento de salário como fiscal de obras públicas. O valor, pouco mais de R$ 12 mil. Segundo os investigadores ele acumulou muito bens, mas não costuma registrá-los em seu nome.

Mariano não tem, por exemplo, nenhum carro, mas a mulher tem quatro, segundo registros no Detran/MS. A filha, Mariane Mariano, tem outros dois. Ela, aliás, é a principal parceira dos negócios do pai.

Mariane aparece como dona de quatro fazendas e vários outros terrenos. Segundo o relatório da Operação Lama Asfáltica ela é laranja do pai. Nas fazendas Campo Maravilha, Vista Alegre, Pouso da Graça e Alcantilado, a família tem sócios, entre eles, Edson Giroto, também investigado na operação, e João Afif, outro fiscal da Agesul.

Afif é investigado por aprovar vistorias fraudulentas de obras em rodovias do estado, liberando dois e até três pagamentos para a Proteco, do empreiteiro João Amorim, outro investigado na operação, por serviços que foram feitos apenas uma vez.

Na casa de outro fiscal da Agesul, Hélio Yudi, a Polícia Federal encontrou documentos de compras de vários imóveis, todos em nome de familiares do servidor. Um hábito dele chamou a atenção dos investigadores. Nas compras de terrenos, casas e veículos, Yudi evitava fazer os pagamentos com cheques ou transferências bancárias.

As palavras “em espécie” aparecem em vários recibos encontrados na casa: R$ 16 mil de entrada por um carro de luxo da mulher, R$ 197 mil de um apartamento e R$ 72 mil em três terrenos. Tudo pago em dinheiro vivo.

O fiscal tinha um salário de cerca de R$ 11 mil e a mulher não tinha renda nenhuma. Mesmo assim ele assumiu prestações de mais de R$ 20 mil por mês. Os dois filhos de Yudi aparecem como compradores de imóveis, e receberam milhares de reais como doação do pai, outro indício de lavagem de dinheiro, conforme a PF.

No telefone celular do fiscal foram encontradas conversas entre ele e o engenheiro da Agesul Ocimar Ruiz Ribeiro.

Em uma delas Yudi pergunta onde pode encontrar “frango”. Os investigadores dizem que “frango” é a senha para propina no órgão. Ao longo da conversa uma pessoa se apresenta como sendo a esposa de Ocimar e diz que somente vai conseguir o “frango” para a semana seguinte.

Justamente nesse período o filho e a mulher dele pagaram parcelas de mais de R$ 30 mil pela compra de dois terrenos. Yudi foi demitido da Agesul em setembro do ano passado, depois do início da investigação.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Beto Mariano, Hilário Carlos de Oliveira. Segundo ele, das três fazendas em nome da filha de Beto, uma foi comprada com dinheiro de venda de gado que era herança de família e as outras duas com o salário de Mariane, que é médica. Uma delas, segundo ele, foi comprada de forma parcelada e ainda não foi quitada.

Também falamos com o advogado de Hélio Yudi, Newley Amarilha, que informou que os imóveis foram comprados devidamente e que a esposa de Hélio era proprietária de uma confeitaria e os filhos têm renda comprovada. Não foi localizado o advogado de João Afif.

Fonte: G 1 MS

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