Economia

‘O consumismo errado já faz parte da cultura brasileira’, reflete economista

Por Daiane Libero e Guilherme Cavalcante

O 13º salário dos brasileiros está muito próximo para esse ano de 2016, e desde setembro o comércio se prepara para uma das épocas mais lucrativas do ano: o Natal. Porém, o Brasil está imerso em uma crise econômica que vem sendo amplamente divulgada desde 2014, e o consumo vem sendo afetado por ela.

De 2015 para cá, o que mudou nesse cenário de aumentos de impostos e preços finais, onde o consumidor acaba por sofrer? E de que forma nós podemos valorizar nosso dinheiro diante da oferta de consumo e também das contas obrigatórias? Para responder a essas e outras perguntas, consultamos a economista, mestre em administração pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e coordenadora técnica da Real Brasil Consultoria, Juliana Bispo. Leia na íntegra.

O brasileiro tem dificuldade em gastar dinheiro de forma consciente e de manejar as finanças? Por que isso acontece?

O consumismo errado já faz parte da cultura brasileira. Apesar de termos avançado muito em relação a ampliação da renda e acesso a crédito, ainda somos um pais com muitas necessidades, sendo que cada acréscimo de receita é direcionado diretamente para o consumo. Para colaborar com o desejo de consumir, temos muitas promoções e propagandas que estimula o consumo e ainda a facilitação de crédito, que gera a falsa sensação de que a pessoa possui recurso destinado ao consumo, quando na verdade está se endividando e, em muitos casos, com produtos supérfluos, pois não houve organização e planejamento.

‘Onde’ as pessoas geralmente erram nos gastos?

Imediatismo no consumo. Em tese ninguém quer perder uma “boa oportunidade” e qualquer promoção ou oportunidade de crédito é facilmente aceita pela população. Sem organização e planejamento, qualquer oportunidade se torna boa e isso amplia substancialmente a inadimplência no mercado, dificultando a realização de novos negócios, se tornando um círculo vicioso na sociedade.

É possível saber se estamos gastando bem? Existe algum indicador para isso?

A ausência de dívidas é um bom indicador. Existe diferença entre dívida e despesa onde, dependendo da situação, a parcela de um veículo pode ser uma despesa, ou pode ser uma dívida. Manter o orçamento equilibrado demanda um pouco de trabalho, mas é possível criar e manter uma organização financeira estruturada. O ideal é estar com as despesas dentro da receita, possuir um fundo de reserva casos de emergência e uma reserva para viagem e lazer.

O 13º salário está quase aí. De que maneira podemos fazer um gasto consciente desse valor, que muitas vezes acaba apenas cobrindo os rombos financeiros?

A ideia de receber um salário acional causa, mais uma vez, uma sensação equivocada de que há mais dinheiro disponível, e contando com isso, as pessoas tendem a gastar por antecipação se esquecendo que em dezembro e janeiro, há despesas adicionais, como matrícula escolar, IPTU, IPVA que se pagos à vista fornecem descontos e outras despesas que são diluídas no decorrer do ano que, se fossem pagas anualmente, proporcionariam um valor considerável de desconto, como é o caso de Pax e alguns tipos de seguros. Meu conselho para a destinação do 13º é que este seja utilizado para renegociação de juros em dívidas, pagamento à vista das despesas elencadas anteriormente e uma parte ser destinada ao lazer.

Os meses de novembro, dezembro e janeiro costumam ser bastante onerosos, mas também têm despesas não obrigatórias que podem ser evitadas. Como escapar das armadilhas financeiras destes meses?

Final de ano, tradicionalmente transformou consumos desnecessários em despesas obrigatórias, como amigos secretos, confraternizações, troca de presentes, festas e outras. Uma forma de não cair nas tentações do consumo é escolher uma ou outra comemoração e não tentar participar de todas; não cair nas armadilhas de “mega promoções de fim de ano”; ter um planejamento para estas despesas e ainda se controlar nas trocas de presentes. É melhor não participar do que se endividar para o resto do ano.

E a pergunta polêmica: comprar parcelado é um bom negócio ou não? E afinal, quanto do orçamento mensal podemos comprometer com parcelas de cartão de crédito e carnê?

Depende. A classe empresarial ainda não possui a cultura do desconto à vista para incentivar esta forma de pagamento, mas imaginando vender mais, propõe o parcelamento sem juros. Desta forma, dependendo do valor do produto, da necessidade de obtê-lo naquele momento e no comprometimento da renda com o pagamento à vista, há situação em que é mais viável o parcelamento, todavia, o que se observa é que há pessoas que parcelam tudo em pequenas frações e quando se dão conta, comprometeram mais que 100% do salário com estes parcelamentos. O ideal é que apenas 30% da renda seja comprometida com esta forma de pagamento, lembrando que sempre é melhor o embate para obter um desconto à vista, do que optar pelo parcelamento logo de cara.midiamax

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