Economia

O bê-a-bá do Bitcoin

O bê-a-bá do Bitcoin

Ela não é de papel, mas pode ser guardada em carteiras; está valorizada, mas tem alta volatilidade. Veja como funciona o bitcoin

O bitcoin não existe em meio físico — estas moedas são apenas representações livres de como seria uma eventual moeda | Bigstock

Você já deve, no mínimo, ter ouvido falar do bitcoin. Antes uma palavra restrita a nichos específicos da área de tecnologia, a moeda digital está gradualmente virando um assunto de mesa de bar. Porém, nem todo mundo entende a lógica por trás dessa nova forma de pensar o dinheiro, movida a supercomputadores e mineração de dados.
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Lançado em 2009 por Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador — ou criadores — do bitcoin, ela é a mais popular entre as criptomoedas, ou moedas digitais. Ao contrário do dinheiro comum, regulado por sistemas bancários, essas moedas têm um controle descentralizado: sua valorização ou desvalorização é condicionada apenas pelo volume de usuários e de dinheiro disponível. No fechamento desta matéria, o bitcoin estava cotado a US$ 3,9 mil (R$ 12,3 mil) uma flutuação gritante se comparada aos US$ 966 (R$ 3,1 mil) do primeiro dia do ano. A volatilidade, claramente, é grande.

“Você tem mercados, como se fossem bolsas de valores”, explica o professor do mestrado em Modelagem Matemática da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV EMAp) Renato Souza. “Há um plataforma em que as pessoas se manifestam sobre compra e venda das moedas e essa plataforma faz os ajustes, as trocas. Mas eu também posso transferir dinheiro digital para qualquer pessoa”.

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Apesar de ainda ser largamente utilizada apenas nesse setor de especulação monetária, a popularização da tecnologia está fazendo com que empresas comecem a aceitar o bitcoin como forma de pagamento por produtos e serviços. É nessa lacuna a aposta da Redecoin, que aplica a mesma lógica de plataformas como PayPal e PagSeguro ao bitcoin. “Com essa expansão que está acontecendo há essa possibilidade”, aponta Rony Abreu, um dos sócios do empreendimento, que acredita que a utilização da moeda no varejo já está começando com força para se consolidar.

Fiscalização coletiva e segurança

Absolutamente todas as transações feitas com bitcoin ficam anotadas em um banco de dados público, chamado blockchain. A tecnologia funciona como se fosse um livro-caixa criptografado de onde os dados não podem ser apagados. Ao final de cada bloco, é gerada uma chave e é partir dela que o próximo bloco será iniciado.

Essa cadeia de blocos garante solidez e a segurança contra fraudes fica por conta da publicidade das informações — todos os usuários têm acesso a ela e só precisam dispor do conhecimento técnico necessário para lidar com a torrente de dados. A atividade de gerenciamento e checagem do Blockchain é chamada de mineração, a partir da qual são gerados os bitcoins. A mineração requer computadores superpotentes e, portanto, sai à frente nesse processo quem dispõe de equipamento adequado e energia barata.

Mesmo com um sistema vigiado por milhares de olhos, os adeptos do bitcoin não estão imunes a fraudes ou erros crassos que podem fazer com que percam muito dinheiro em um clique. Guto Schiavon, COO da Foxbit, fintech de intermediação de compra e venda de bitcoins, adverte que é preciso tomar cuidado com esquemas de pirâmide. “Se te prometem algo, não cai nessa. Bitcoin não tem dividendo. Um bitcoin ainda vai ser um bitcoin em um mês. Se alguém prometer juros sobre isso, fuja”, avisa.

Também é recomendável atenção à segurança do dispositivo usado para fazer as transações. Computador, tablet ou celular, é preciso ter antivírus instalado, ter senhas fortes, autenticação em duas etapas e não navegar em sites suspeitos para evitar que a máquina seja vítima de ataques. Como a maioria dos assuntos de interesse de um grande número de pessoas, a internet está cheia de vídeos, materiais de leitura e até cursos para quem quer mergulhar nesse mundo. “Estude sempre”, aconselha Schiavon.

A última dica é nunca deixar suas moedas digitais flutuando na rede. Ainda que elas não sejam um bolo de notas, é possível guardá-las em uma carteira, um tipo de software feito especificamente para o armazenamento delas. O CEO do site de câmbio de criptomoedas Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista, explica por que isso é importante: “Quando você compra o bitcoin no site, ele fica dentro da empresa. Se o site sai do ar, você perde o acesso aos seus bitcoins”.

Ainda dá tempo de embarcar nessa?

Segundo o site CoinMarketCap, já são 1128 moedas digitais, totalizando um capital de mercado de quase US$ 136 bilhões. O Bitcoin abocanha sozinho 48% desse total e sua concorrente mais próxima, a Ethereum, fica com 27%.

O professor da FGV EMAp acredita que as criptomoedas e os smart contracts (protocolos de computador com capacidade de serem executados ou de se fazerem cumprir autonomamente) serão o próximo grande disruptor social. “A gente vê o fenômeno na superfície. Vê e nem entende plenamente o que representam as criptomoedas, mas isso já virou mainstream”, aponta.

Quem viu seu negócio crescer exponencialmente junto com o boom do Bitcoin também está otimista. “Não dá para devolver o gênio para a garrafa, não dá para desinventar o conceito”, diz Batista. “O mundo das moedas digitais ainda vai crescer muito, mas não dá para saber quais moedas vão permanecer”.

Schiavon enxerga ainda mais valorização do bitcoin no futuro. “Pode não ser como foi esse ano, mas existirão no máximo 20 milhões de bitcoins no mundo. E hoje há 17 milhões. Se a oferta começa a cair e a demanda continuar, o preço vai subir”, afirma. Recentemente, sua gama de clientes expandiu do nicho dos jovens da tecnologia e para incluir também pessoas mais velhas, que têm experiência com investimentos. Para o empresário, que tem 22 anos, a presença desse público com maturidade financeira torna o mercado das moedas digitais mais sólido.
A GAZETA DO POVO

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