Economia

Dólar cai cerca de 2% e vai abaixo de R$ 4 novamente

São Paulo – O dólar recuava cerca de 2 por cento nesta quarta-feira, abaixo de 4 reais, com operadores recebendo bem as ações tomadas pelo governo para apaziguar as tensões com a base aliada no Congresso, mas a briga pela Ptax e incertezas sobre a intervenção do Banco Central prometiam sustentar a volatilidade no mercado.

Às 10:23, o dólar recuava 1,88 por cento, a 3,9826 reais na venda, oscilando entre 3,9720 reais na mínima do dia e 4,0219 reais na máxima.

“A melhora no cenário político passa pela visão de que os vetos da presidente (Dilma Rousseff) podem ser aprovados pelo Congresso, e cresce a chance de a CPMF emplacar”, disse o estrategista da corretora Coinvalores Paulo Celso Nepomuceno, referindo-se a medidas importantes do reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, divulgou na véspera que já conversou com Dilma sobre sua saída no cargo, que deve ser oferecido ao PMDB.

Segundo a imprensa, a reformulação do governo pode passar ainda pela saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil, político associado às políticas expansionistas adotadas no primeiro mandato de Dilma, que desagradaram investidores.

No entanto, operadores ressaltavam que o alívio desta sessão pode muito bem ser pontual e a volatilidade deve continuar sendo a regra do jogo, em meio ao quadro local ainda conturbado.

Além disso, dúvidas sobre a possibilidade de o BC vender dólares no mercado à vista, após a autoridade monetária reforçar sua atuação com leilões de linha e de novos swaps cambiais, também adicionavam incerteza às operações.

O BC fará nesta sessão o último leilão de rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, após vender parcialmente a oferta na sessão passada.

“O BC parece ter escolhido uma estratégia de intervenção cambial caracterizada por ‘imprevisibilidade’, com o momento, o tamanho e o produto específico a serem adotados variando diariamente”, escreveu o estrategista global de câmbio do Nomura Mario Roble. Ele ressaltou que “efetivamente, não há motivo urgente para usar as reservas, pelo menos de um ponto de vista de fundamentos”.

Além disso, a briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve como referência para diversos contratos cambiais, também influenciava as operações.

Operadores costumam disputar no último pregão do mês para deslocar as cotações de forma a garantir uma taxa mais favorável a seus negócios.

Nesta sessão, a queda do dólar nos mercados externos também corroborava o recuo da moeda norte-americana contra o real, em um dia de apetite por risco nos mercados globais. A moeda dos EUA recuava cerca de 0,6 por cento contra os pesos chileno e mexicano.EXAME
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