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Artigo: Dessecação pré-colheita, sim ou não?

O cuidado com a dessecação é fundamental, pois as chuvas contínuas após aplicação podem provocar a germinação antecipada dos grãos
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*Áureo Lantmann

A dessecação pré-colheita nesta safra pode trazer grandes prejuízos aos agricultores. Por si só, este procedimento causa menor rendimento e compromete a qualidade dos grãos de soja.

Especificamente na safra 2015/2016, o cuidado com a dessecação é fundamental, pois as chuvas contínuas após aplicação dos defensivos podem reduzir rendimentos e provocar a germinação de grãos nas vagens.

• Leia ao artigo anterior: Efeitos da estiagem e do excesso de chuva na produtividade

A dessecação da soja é uma prática que só deve ser utilizada em áreas de produção de grãos, com o objetivo de controlar as plantas daninhas ou uniformizar as plantas com problemas de haste verde/retenção foliar.

Caso seja necessária a dessecação pré-colheita, é importante observar a época apropriada para executá-la. Aplicações realizadas antes de a cultura atingir o estádio R7 provocam perdas no rendimento. Esse estádio é caracterizado pelo início da maturação (apresenta uma vagem amarronzada ou bronzeada na haste principal).

Os produtos utilizados são o paraquat (na dose de 1,5 a 2,0 L/ha do produto comercial), ou diquat na mesma dosagem. Doses mais elevadas devem ser utilizadas em áreas com maior massa foliar. No caso de predominância de gramíneas, o ideal é utilizar o Gramoxone. Quando houver predominância de folhas largas, principalmente corda-de-viola, deve-se utilizar o Reglone.

A dessecação em pré-colheita de campos de sementes de soja convencional com glyphosate não deve ser realizada, uma vez que essa prática acarreta redução de qualidade de sementes, reduzindo seu vigor e germinação, devido ao não desenvolvimento das radículas secundárias das plantas.

Para evitar que ocorram resíduos no grão colhido, devemos observar o intervalo mínimo de sete dias entre a aplicação do produto e a colheita.

Por fim, em função das condições climáticas desta safra, é recomendável que agricultores evitem a dessecação pré-colheita.

*Áureo Lantmann é engenheiro agrônomo, foi pesquisador da Embrapa Soja e é consultor técnico do Soja Brasil desde a primeira edição, safra 2012/2013

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